domingo, 29 de abril de 2007

Percurso

Olho para trás. De onde venho espraia-se um rasto de destruição. Cauda ensanguentada de cometa. Poças de lágrimas espalhadas pelo solo pejado de fragmentos de dor. Não a minha. Essa carrego cá dentro. Não é ela que me preocupa. Estendo-lhes a mão. Mas tem espinhos. Não me consigo livrar deles. Dos espinhos. Não os vejo. Dizem-me que estão lá.
Em frente o caminho é incerto. A luz filtrada pela bruma impede-me de ver com clareza. Olhos sensíveis. Avanço não sem medo, lentamente. Curiosidade. Desejo de fascínio. Ofuscar-me.
E atrás os gritos lancinantes, os dedos gélidos do passado esforçam-se por invadir o presente. No fim do caminho o abraço enigmático da Morte. Effroi! Mas Tempo dá-me a mão firme, implacável. L'Ennemi! Conformo-me com a minha condição. Olhar o céu, o mar, e sorrir.