terça-feira, 28 de março de 2006

Ser açoreano

A magia de ser açoreano...



Ilhas de Bruma
Ainda sinto os pés no terreiro
Onde os meus avós bailavam o pezinho
A bela Aurora e a Sapateia
É que nas veias corre-me basalto negro
E na lembrança vulcões e terramotos
Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra
Se no olhar trago a dolência das ondas
O olhar é a doçura das lagoas
É que trago a ternura das hortênsias
No coração a ardência das caldeiras.
Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra
É que nas veias corre-me basalto negro
No coração a ardência das caldeiras
O mar imenso me enche a alma
E tenho verde, tanto verde a indicar-me a esperança.

segunda-feira, 13 de março de 2006

Carta

Olá velho amigo. Aqui me sento, finalmente, frente a ti. Sei que me tenho vindo a afastar, mas que posso eu fazer se o tempo maldito nos faz mudar, fechando-nos portas que gostariamos tanto de poder voltar a abrir. Mas não te preocupes (perdoa-me a pretensão). Não deixei de te amar. Continuo a pensar em ti e a necessitar da tua força, tão intensamente quanto outrora. Tantas vezes o meu olhar procura refugiar-se na tua imensidão, sem te encontrar. Tantas vezes o meu peito anseia pelo teu abraço purificador. Cresci em ti, e em ti lavei lágrimas silenciosas. Como poderia esquecer-te?
Hoje revejo-te, e um arrepio de emoção percorre-me, tal como quando os meus lábios encontram a pele de quem amo. Com que outro poderia ter semelhante diálogo? Eu falo-te com o coração, tu respondes-me com murmúrios, doces rugidos, odores que me são caros.
Espero ansiosamente pelo dia em que mais uma vez entrarei em ti, o dia em que juntos seremos de novo um só. Até lá adeus, amigo de tantas faces. Descança que saberei sempre reconhecer-te, onde quer que te encontre.