segunda-feira, 2 de janeiro de 2006

Fantasmas

Ao rever estas paisagens, estes sons, estes odores, fantasmas de um passado que, não deixando de o ser, continua tão presente, tento recuperar aquele que já não sou. Ele faz parte de mim, mas tornei-me mais do que aquilo que ele representa.
Nunca deixamos de ser o que fomos. Na verdade, apenas nos expandimos a cada dia que passa. Em consequência, cada parte que nos constitui desempenha um papel cada vez mais atenuado, em detrimento das nossas aquisições mais recentes e mais pertinentes para o momento presente em que nos situamos.
É imensa a nostalgia que me assola quando, em contacto com os elementos que, num determinado momento passado, contribuiram tanto para fazer de mim quem eu era (e sou), pareço reviver por instantes estados de espírito de outrora. Sinto alguma tristeza por ter perdido de certa forma aquele que era. Sei que ele vive em mim, mas demasiado profundamente e demasiado rebelde para que eu possa imobilizá-lo e impedir se esquive. Quando sinto necessidade de o reviver tenho de o atrair, de o fazer ascender da escuridão em que se instalou. A única forma de o fazer é regressar aos lugares do mundo físico que ele habitou, inalar os aromas que o alimentavam, contemplar o que o comovia, ouvir o que o transportava. Assim, engodado, ele volta a apoderar-se de mim, não exactamente como antes, mas quase.
Este arrepio que sinto é a vertigem de mergulhar no passado com os pés bem firmes no solo presente.
É assim regressar à terra que me viu nascer e que me corre nas veias. Raíz profunda que sempre suportará os ramos novos que continuarão a nascer até ao fim dos meus dias.

quinta-feira, 8 de dezembro de 2005

domingo, 4 de dezembro de 2005

Noun

Au début était le Noun, l'élément liquide incontrôlé, que l'on traduit souvent par "chaos". Il ne s'agit pas d'un élément négatif, mais simplement d'une masse incréée, inorganisée et contenant en elle les germes possibles de la vie. Cet élément ne disparaît d'ailleurs pas après la création: il reste cantonné aux franges du monde organisé, qu'il ménace d'envahir périodiquement si l'équilibre de l'univers vient à être rompu. Il est le séjour des forces négatives, toujours promptes à intervenir et, d'une manière plus générale, de tout ce qui échappe aux catégories de l'univers. Les âmes en peine, par exemple, qui n'ont pas bénéficié des rites funéraires appropriés, ou les enfants mort-nés, qui n'ont jamais eu la force suffisante pour accéder au monde sensible, y flottent, comme des noyés à la dérive.

Nicolas Grimal , Histoire de l'Égypte ancienne

terça-feira, 22 de novembro de 2005

Partidas...

Cada vez que te deixo, fica o meu coração nos teus lábios, os meus lábios no teu corpo. Um dia quero não ter que partir, mergulhar em ti, alimentar-me apenas do nosso amor...

domingo, 13 de novembro de 2005

Breves momentos de desorientação...

Receio aquele momento em que perco os sinais dos meus sentimentos, em que me sinto um invólucro inútil que nada protege. Quero acreditar que eles continuam lá apesar de tudo, que sou apenas eu que me desvio do seu comprimento de onda.

Feeling somewhat ephemerous...













sábado, 5 de novembro de 2005

Takk...


Music for the soul...

quinta-feira, 27 de outubro de 2005

Reflexões em movimento

Metálica e fria redoma
Transparente e triste dilúvio
Dentro afogo-me em nuvens
Fixo a cidade que passa lá fora
Mas o meu olhar está invertido
Contempla o ser que me habita
Estranho e distante por vezes
Mas sempre tão familiar...


Des milliers de visages roulent devant moi.
Traces de vie que je ne suivrai jamais.
La vie, c'est pas long;
Et savoir, c'est pas tout;
Aimer, non plus...
Mais...presque.

segunda-feira, 17 de outubro de 2005

After our little erotic games...

Nothing compares to the scent of his skin
Breathing him in, never out
His arms, the sweetest place i've ever been
Something in me begins to sprout...

quinta-feira, 29 de setembro de 2005

Sérénité




Debout face à la mer, je ferme les yeux. Le soleil caresse tièdement ma peau, tandis que mon coeur bat au rythme des vagues qui s'écrasent sur le sable. Mon âme prend essor et rejoint la douce brise que je respire. Ah si je pouvais rester ainsi pour une éternité!...

domingo, 25 de setembro de 2005

Voo

Sempre senti que pertencia a outro lugar...e ao mesmo tempo sempre pertenci aqui...e porque gostava de transformar o aqui num outro lugar, onde eu sentisse que pertencia por completo...

"Voo de asa leve
Voo de asa breve
Tão longe o meu sonho foi
Mais longe do que eu
Abriu asas
Fugiu...

Daqui eu não sou,
Eu nunca fui daqui!
Quem dera fazer daqui
Um outro lugar,
Ao saber que o caminho dos meus pés
Há-de ser onde eu me levar

Voo de asa leve
Voo de asa breve
Tão longe o meu sonho foi
Mais longe do que eu
Abriu asas
Fugiu...

O amor é um pássaro de fogo,
O amor rasgando louco os céus
Em perpétuo movimento,
Possa eu ser a guarida desse amor,
Nem que apenas por um momento!

Voo de asa leve
Voo de asa breve
Tão longe o meu sonho foi
Mais longe do que eu
Abriu asas
Venceu."

( Dulce Pontes )

quarta-feira, 21 de setembro de 2005

O mar

Não é nenhum poema
o que vos vou dizer
Nem sei se vale a pena
tentar-vos descrever
O mar
O mar

E eu aqui fui ficando
só para O poder ver
E fui envelhecendo
sem nunca O perceber

O Mar
O mar

(Madredeus)

segunda-feira, 19 de setembro de 2005

Un regard 9

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Lara Fabian -Palais des Beaux-Arts de Charleroi, Belgique - 15 Septembre 2005

Este foi um daqueles momentos que gostaria de poder capturar no tempo, de forma a poder revivê-lo sempre que quisesse. Como isso não é possível ficarei com pequenos fragmentos gravados na minha mente, fragmentos de gestos, de sorrisos, de olhares profundos, de doçura, de uma voz que não parece ser deste mundo...

quinta-feira, 15 de setembro de 2005

Estranho desconhecido

Não te vi chegar, não te pressenti...
Quando dei por mim estava preso no teu olhar.
Semeaste em mim uma ansiedade,
Sentimento estranho difícil de descrever,
Vontade de te rever, ânsia de te conhecer.

Sei que com o tempo na minha mente
Apenas permanecerá um crepúsculo,
Um débil traço do nosso encontro fugaz
E a sensação de que por momentos
Fui capaz de te amar...

segunda-feira, 8 de agosto de 2005

Sans titre I

Je veux m'endormir sur le sol volcanique
Sous un ciel saphir où des nuages dansent éternellement
Et dans mes songes j'entendrai le doux chant des baleines
Je briserai les vagues sur le dos du dauphin
Je sonderai les profondeurs
Guidé par le savant cachalot
Et j'y resterai pour une éternité

Je reviendrai le jour où les hommes me ressembleront enfin...

sexta-feira, 29 de julho de 2005

Garantia

Garantia de que não te esquecerei, de que guardarei a chave que me concedeste, esperando que nunca abandones aquela outra que te dei. Que louco sou, quando sempre me queixo do tempo fugaz, quando agora lhe imploro que não demore a passar...


He fills my chest with the sweet breeze of love...

quarta-feira, 27 de julho de 2005

Volúpia

Volúpia

No divino impudor da mocidade,
Nesse êxtase pagão que vence a sorte,
Num frémito vibrante de ansiedade,
Dou-te o meu corpo prometido à morte!

A sombra entre a mentira e a verdade...
A núvem que arrastou o vento norte...
--- Meu corpo! Trago nele um vinho forte:
Meus beijos de volúpia e de maldade!

Trago dálias vermelhas no regaço...
São os dedos do sol quando te abraço,
Cravados no teu peito como lanças!

E do meu corpo os leves arabescos
Vão-te envolvendo em círculos dantescos
Felinamente, em voluptuosas danças...

Florbela Espanca

quinta-feira, 21 de julho de 2005

sexta-feira, 15 de julho de 2005

Core

You tear down all of my shields
You lift that most inner veil
You get to the core
And once there
You paint it with so many colours
Colours i've never seen
Oh please, don't ever leave it
Stay in there
Keep on loving it
Embrace it forever...