quarta-feira, 9 de julho de 2008

Verba aliena IV - The present

"I'm sure Mr Denham would like to see our things, Katharine. I'm sure he's not like that dreadful young man, Mr Ponting, who told me that he considered it our duty to live exclusively in the present. After all, what is the present? Half of it's the past, and the better half, too, I should say," she added, turning to Mr Fortescue.

Virginia Woolf, in Night and Day

quinta-feira, 3 de julho de 2008

The well of memories

The well is unfathomly deep below its coal-dark waters, where memories were stored away in a chaotic order. Now there are times when he tries so hard to look for the scattered slices of the dreams he achieved, those who are so ephemerous that when we make them real they keep on being just that: dreams. Those are the times when he's scared to go on, towards the future, for the more we walk forward, the more we leave behind. And sometimes memories just are not enough. Now there are the nights he struggles to sleep while doing his best to recall the voice he heard coming out of the woman that was finally real after ten years. But after those magical moments, she faded away. The bones and flesh he saw, and the irretrievable notes he heard and felt, aren't but a spectre, a blurred reflexion in the waters of the well of memories. And others may laugh and say "Why should you care?", but they don't know, they don't understand. As for him, he wishes he could live those moments over and over again, at his will.

Em jeito de conversa com um amigo

A meu entender, o pós-modernismo coloca-nos frente a frente a uma terrível evidência: todo o conhecimento construído, mormente no caso das chamadas Humanidades, é a realidade de quem o constrói e nunca a realidade em si. Mas o que é essa realidade em si? Passada, presente ou futura, o que é ela? Existe? Há um absoluto? Ou só um todo feito de um número infinito de relativos possíveis? De que serve então o nosso esforço científico? Se nem de nós mesmos somos capazes de uma aproximação satisfatória...

sábado, 28 de junho de 2008

Cassiopeia

"Desculpa!" Era já hábito, a porta fechada a estalo. Um último olhar e as palavras, todas as noites como se fossem os derradeiros. Não vá o diabo tecê-las! Atravessa a estrada despovoada pelas horas avançadas. O peito cheio dele, a pele ainda húmida de ambos. A noite é de Verão, e até o ar quente da cidade tem outro cheiro, misturado com o dele, o cheiro que levava consigo para casa, como se não tivesse partido, mas ainda ali, presente, na pele e nos lábios. De dentro, uma vaga azul de mar e imensidão, como a uma proa de barco, ergue-lhe o olhar para o trilho de céu nocturno cingido de prédios invertidos. Lá brilha ténue uma única constelação, intimidada pelas luzes omnipresentes da cidade. E a memória de muitas noites insulares perdidas nas estrelas murmura: Cassiopeia.

sábado, 21 de junho de 2008

Minutos

Naqueles poucos minutos bruscos o mundo mudava. E à minha volta sentia as superfícies fluídas das paredes e dos objectos transfigurando-se, reajustando-se à nova realidade, como placas tectónicas após o sismo destruidor.

sexta-feira, 13 de junho de 2008

Verba aliena III - O afogado

Quem vestisse escafandro de ir ao fundo de almas, e mergulhasse na dele, veria pólipos de dor ramificando-a, tentáculos verdascando-a, peixes-agulha cravando-a; e dentre tal fundo de marinha angústia, estilhaços de cristais de Boémia por onde deuses malinos bebessem o sangue de trancadores naufragados, em orgias corsárias. Se o sangue todo cumprisse o mando de seu sofrer, abriria ao coração em estrelas do mar, de cinco pontas, arroxeado correria de vénula para vénula, em cardumes esfiampados de alforrecas, ou em gotas de coralina suspensas lhe erraria nas arteríolas, como se fossem contas dum colar já sem fio...

Vitorino Nemésio, in Terra do Bravo

domingo, 8 de junho de 2008

Lisboa

Desço a rampa metálica que leva ao cacilheiro: há dias em que amo Lisboa, derramada no Tejo sob um sol fugido do Mediterrâneo, genuinamente bela no seu alvo esplendor.

Amesterdão

Nas ruas de Amesterdão o ar atravessa-se a custo, espesso e amarelado, como seiva conduzida por ruas curvas que parecem não ter fim. E sufocariamos, se arremetendo por pequenas ruelas de casas diagonais não respirassemos o ar marítimo dos canais de águas turvas. Nas ruas de Amesterdão anseei pelo sol honesto de Lisboa, desejei as sombras gélidas de Edimburgo e Dublin em festa.

sexta-feira, 30 de maio de 2008

Mots d'autrui II - Les désirs cachés

Il ne parlait qu'à sa femme, le reste de l'hôtel n'avait pas l'air d'exister pour lui, mais au moment où un garçon prenait une commande, était tout près, il levait rapidement ses yeux clairs et jetait sur lui un regard qui ne durait pas plus de deux secondes mais dans sa limpide clairvoyance semblait témoigner d'un ordre de curiosités et de recherches entièrement différent de celui qui aurait pu animer n'importe quel client regardant même longtemps un chasseur ou un commis pour faire sur lui des remarques humoristiques ou autres qu'il communiquerait à ses ami. Ce petit regard court, désintéressé, montrant que le garçon l'intéressait en lui-même, révélait à ceux qui l'eussent observé que cet excellent mari, cet amant jadis passionné de Rachel avait dans la vie un autre plan et qui lui paraissait infiniment plus intéressant que celui sur lequel il se mouvait par devoir.

Marcel Proust, in Albertine disparue

sexta-feira, 23 de maio de 2008

Homeland

My true country lies beyond
These dark shadowed shores.
It lies on sunny plains
On his white sandy hills
And golden scented fields.

My heart gently settles
In the soothing depths
Of his sky-blue lakes.

segunda-feira, 19 de maio de 2008

Paredes de lava

Paredes de lava negras, amolecidas pelos fetos, pelos musgos; aprisionam o calor do dia, recebem as gotas de bruma, ressoam ao som do grito do milhafre, do lamento das cagarras. A elas me encosto todas as noites e adormeço. Na cidade, as ilhas surgem no mar em sonhos.

segunda-feira, 12 de maio de 2008

Espalamaca / Sonho de mitologia açoreana

Subindo a Espalamaca, a estrada parece acabar onde acaba a ilha. E o olhar ora se precipita no canal até aos ilhéus, ora se ergue escalando a branda encosta do vulcão. No alto refugiam-se os deuses desconhecidos das ilhas, expirando o enxofre das entranhas. Pensam os homens que é deles o que não pode ser possuído; e a Virgem terrena ousa virar as costas ao Olimpo Atlântico, velando sobre a cidade mortal. Perante tal afronta, são mais piedosos aqueles imortais de lava, mar e vento, que o deus estrangeiro que com seu séquito aqui veio acostar.

quarta-feira, 7 de maio de 2008

Faibles traces

Je pense à ces endroits du passé qui restent malgré l'action ravageuse de l'oubli. On les évite, quand on y a trop souffert. On y revient toujours, quand on y a aimé éperdument. On a beau essayé d'oublier, mais on gardera à jamais en nous les faibles traces de ces amours décédés.

segunda-feira, 5 de maio de 2008

Terra redonda

Tu enim quam celebritatem sermonis hominum aut quam expetendam consequi gloriam potes? Vides habitari in terra raris et angustis in locis et in ipsis quasi maculis, ubi habitatur, uastas solitudines interiectas eosque, qui incolunt terram, non modo interruptos ita esse, ut nihil inter ipsos ab aliis ad alios possit, sed partim obliquos, partim transuersos, partim etiam aduersos stare uobis; a quibus exspectare gloriam certe nullam potestis.

M. Tulli Ciceronis, Somnium Scipionis

domingo, 4 de maio de 2008

A Lisboa

Lisboa,
és-me estrangeira,
e o Tejo
não me conhece só de tanto eu o ver.

sábado, 3 de maio de 2008

Hold me in chains

When i fall into disbelief, show me your faith. Hold me in chains and i'll gladly stay. Only then shall we overcome.

quinta-feira, 1 de maio de 2008

Blasé

Blasé,
Même l'absence m'indiffére.

Et le coeur s'éloigne
De ton visage oublié.

domingo, 27 de abril de 2008

Maré cheia

Impregnado de ti. Quando trespassa a pele, a carne e estala os ossos. Quanto mais de ti, mais de mim espalhado pela areia, quando te retiras como a maré cheia.

quinta-feira, 10 de abril de 2008

Gaeilge

crann
abhainn
am
múinteoir
anam
bóthar
fuinneoig
cailín
leabhar
báisteach
talamh
fear
fuacht
bh'fhéidir
leisciúil
Gaeltacht
solas
amáireach
grá
láimh

terça-feira, 8 de abril de 2008

O poço

É um poço sem fundo, daqueles que não existem a não ser em nós. Resta-me uma mão que já sangra de estar cravada à beira do abismo. Perco as forças. E a tua mão sem vida, sobre a minha, gelada no frio da ausência. E um dia caio. E será tarde para que me segurem.

domingo, 6 de abril de 2008

Verba aliena II - a'chlach

a'chlach

suathaibh mi, a ghaoithean, le
naidheachd às gach àirde: sìnibh orm

suath mi, a ghrèin, do
shoillse teas mo chridhe: sìn orm

suath mi, a ghealach, mo
leigheas na do ghilead: sìn orm

suathaibh mi, a shiantam, ur
frasan ga mo nighe: sìnibh orm

tàmh annam
sàmhchair


the stone

stroke me, winds, with
news from each quarter: rest on me

stroke me, sun, your
light heats my heart: rest on me

stroke me, moon, my
health in your whiteness: rest on me

stroke me, elements, your
showers wash me clean: rest on me

peace in me,
silence


Aonghas MacNeacail, in Laoidh an donais òig /Hymn to a young demon

quarta-feira, 2 de abril de 2008

Ghost Song

While I'm asleep
My spirit crawls out
Of my belly button
And goes down to the sea

To gather the wind
The wires and the shore
To wander the hills
Like a day gone before

When beauty was in season
Oh! Beauty in season!
Endangered by reason
Great love with no law

Today I woke
And my spirit was gone
Still on the shore
Where he truly belongs

So I call
For him
Across
The wind
And
Rain

To come and bring beauty
Back in season
Oh! Beauty in season!
I'm in danger of reason
Losing love to this law

To this....


Patrick Wolf

domingo, 30 de março de 2008

The loch



I let my soul drop on the loch that day. Black like the blackness of his waters, wrapped in mistery like his blind depths. Oh how i long for my life on the shores of the Loch Ness!

sexta-feira, 28 de março de 2008

The Three Sisters



Mist veils their lofty heads,
hiding the sorrow in snow.
Gearr Aonach, Stob Coire nan Lochan
agus Aonach Dubh.
The gods weep down
the three sisters of Glencoe.


quinta-feira, 13 de março de 2008

Ondas

O Tempo avança pastoso em lava, entre os dias em que me chegas raro, desfeito em ondas que se demoram.

quinta-feira, 6 de março de 2008

segunda-feira, 3 de março de 2008

A descoberta

Traziam o mar vivo da ilha na pele, como se este ainda os reclamasse, já saudoso de os envolver. Os pés já amarelados pelo tufo vulcânico das rampas de que se atiravam ao mar inchados de liberdade, onde depois descansavam de tamanha alegria ingénua de se sentirem plenos, estendidos sob um Sol cúmplice de nuvens imprevisíveis. Traziam o mar vivo da ilha na pele, quando arremeteram pelo trilho de erva pisada. Ele seguia à frente, sentindo sem o saber o habitual chamamento das ilhas para que lhes descobrisse os caminhos e recantos que passava a acreditar serem seus e de mais ninguém, segredos partilhados somente com a terra que também era sua e a que pertencia sem se debater. Avançavam com passos molhados e descalços, sujos de vegetação e de lama salgada, o corpo vibrando da excitação do desconhecido. Breves canaviais envolviam-nos inesperados, escondendo por instantes o céu e o mar, como que para aumentar a doce expectativa que fora crescendo ao longo da caminhada. Agora estendia-se-lhes defronte uma encosta suave coberta de vegetação rasa, acostumada a resistir à fúria dos elementos, tão particular nas ilhas. Foi quando atingiram o cimo que viram. A rocha ressurgia nua, amarelada, apontando ao mar como a proa de um barco. Ele foi o primeiro a avançar. Abeirando-se da ponta, olhou com vertigem para o mar azul forte onde Nossa Senhora da Guia, divindade marinha transfigurada pelo Homem, mergulhava com firmeza o seu manto telúrico. E eis que olhando o horizonte, percebeu! Ao largo passavam as baleias, lentamente, rolando os dorsos negros à superfície em saudação ao céu e à terra, ferindo o mar de espuma branca. Levavam consigo o canto melancólico das ilhas e do mar, o chamamento que ecoara indefinido bem no fundo do rapaz. E saciado de plenitude, chegavam-lhe na brisa amena de Verão murmúrios de confirmação, És nosso e somos teus!

sexta-feira, 29 de fevereiro de 2008

Mots d'autrui I - Continuer

Continuer, voilà ce qui est difficile.

Au bout de toute liberté, il y a une sentence; voilà pourquoi la liberté est trop lourde à porter, surtout lorsqu'on souffre de fièvre, ou qu'on a de la peine, ou qu'on n'aime personne.

Ah! mon cher, pour qui est seul, sans dieu et sans maître, le poids des jours est terrible. Il faut donc se choisir un maître, Dieu n'étant plus à la mode.


Albert Camus, in La Chute

terça-feira, 26 de fevereiro de 2008

Wartend

Ich vermisse seine himmelblauen Augen, seine milchige Haut, seinen unbeschreiblichen Duft... Und ich warte, immer warte ich...

sexta-feira, 22 de fevereiro de 2008

Junto ao mar (das ilhas)

Junto ao mar - inebriante suficiência de mim mesmo. Exila-se a solidão. As páginas brancas, brancas ficam - as palavras vão no vento; caídas tornam-se espuma na crista das ondas. Mas a espuma é efémera, e as palavras cedo se tornam água, regressam às profundezas.

Junto ao mar. Quem me conhece? Eu não. O mar, o das ilhas, talvez.

segunda-feira, 18 de fevereiro de 2008

Holding a bow

To restrain the heart when it feels too much, hit by the gloomy arrow that flies back whenever you're away for too long. Will i ever be able to say i'll just be fine, when i might be the one holding the bow?

domingo, 10 de fevereiro de 2008

De nocturna solitudine

Nas noites em que não temos ninguém que nos adormeça, embale na cadência de um respirar que não é o nosso, envolva numa estufa de odores alheios mas familiares e amados, nessas noites, deveriamos vaguear sob o céu nocturno, numa praia onde o mar nunca adormece, nas ruas de uma cidade onde o silêncio está de passagem, num campo aberto respirando a aragem ligeira da noite e onde as estrelas perdem todo o pudor, e em tantos outros lugares que o repouso do sol reinventa. Porque ao ar livre a solidão enche-nos de vida e de coragem, acicata-nos os sentidos, inebriante suficiência de nós mesmos. Mas entre quatro paredes, decompõe-nos em fraquezas, afoga-nos nas profundezas gélidas das nossas inseguranças, empurrados pelo ar pesado e imundo que respiramos a custo, e o sono abandona-nos incapazes de acreditar que novo dia virá, porque em nós se apagou a luz.

sábado, 26 de janeiro de 2008

Quereríamos

É como uma pedra gélida de ângulos cortantes que se instala no coração. E retorce-se dilacerando o peito. Quereríamos arrancar o coração, deixar de sentir, morrer apenas um pouco, contanto que aliviasse a dor. Quereríamos ter alguém a quem fizesse diferença, nas noites em que a solidão alastra.

domingo, 20 de janeiro de 2008

Lisboa : visões

Hoje vi Lisboa num quadro de tons de azul-marinho, tornando a cidade mais branca, menos caótica, dormindo à beira d'água, o tumulto dissimulado. E ao largo algumas velas passavam, aos meus olhos estáticas, fixas contra o fundo cerúleo. Hoje vi Lisboa pintada por uma tarde soalheira de inverno.


A cidade derramada em luzes no rio negro. O seu brilho engolido pelas águas nocturnas, enquanto outras se esquivam aéreas, de encontro à margem esquecida.

quinta-feira, 10 de janeiro de 2008

Cri proustien

Ô angoisses d'un esprit proustien!
Ô insouciance voulue, toujours inachevée!
D'un coeur lourd qui se heurte et saigne
Sous les coups intermittents de la jalousie!

terça-feira, 8 de janeiro de 2008

Arnheim

J'aurais peut-être le coeur plus léger si l'on m'accordait l'entrée au paradis d'Arnheim. Quel bonheur m'envahirait si je pouvais glisser sur ces eaux d'une pureté invraisemblable, emporté par ce crescent féerique d'ivoire en contemplant les paysages de miracle que seuls des mots nous apprennent.

domingo, 6 de janeiro de 2008

Verba aliena I - Truth

Truth is not always in a well. In fact, as regards the most important knowledge, i do believe that she is invariably superficial. The depth lies in the valleys where we seek her, and not upon the mountain-tops where she is found.

Edgar Allan Poe, The Murders In The Rue Morgue

sábado, 5 de janeiro de 2008

Naquelas manhãs

Naquelas manhãs há plenitude no despertar. O sol nasce azul por entre pálpebras, brilhando só para mim; o ar é quente e seguro, ali onde a pele branca é macia.
Naquelas manhãs há o futuro capturado no presente; e o passado cai no esquecimento.
Naquelas manhãs o mundo não renasce no meio da solidão. Há dois corpos que repousam um no outro, que se reconhecem, que se assumem, que se aceitam: amam-se.
Se há momentos de pura felicidade, então é naquelas manhãs que os encontro.

domingo, 23 de dezembro de 2007

Noite de Inverno na ilha

Deitado. Está frio. Mas o vento sopra morno. O vento povoa a noite da ilha de criaturas fantásticas. Delas apenas os sons, as sombras. Umas colidem contra as janelas, outras apressam-se por entre folhas e ramos. Há ainda as que assobiam gravemente. Ou serão todos sinais das mesmas? Enterro-me mais fundo nos lençóis que tresandam à humidade que pesa no ar. O sono vence o medo inconsciente. Os seres ruidosos transportados nas rajadas são agora uma canção de embalar.

sábado, 15 de dezembro de 2007

6 meses («I love you out»)

Sometimes I float myself away
My freedom wants to stretch me out
I see the moon to its watery grave
I love you out
I have been coloured in and had
The light inside my eyes brightened
And when you smile you take me in
I love you out
You go in waves and come in light
And speak my name you speak it
You come with stars to fill up the night
With all that you have given me
I long to give as easily
I watch the stars slip off your cheek
I love you out
A hundred doves when I’m with you
My heart releases out of me
I’ll never want other than you
I love you out
You go in waves and come in light
And speak my name you speak it
You come with stars to fill up the night
And you fill it bright
Your love will light my way
Your kiss will be my pillow
Your breath will fill my sails
Your smile will leave me never, never, never

Sung by Carla Werner

terça-feira, 11 de dezembro de 2007

O peso das palavras

São pesadas as minhas palavras? Pois se me pesa a alma, como não pesariam as palavras. É que vêm de dentro; não daquele dentro que é vazio, nem daquele que dizemos ser mas que na verdade está por fora. São os lastros deste barco que é o Ser, que os recolhe ao navegar através desse hemisfério plano, aquoso e sem caminho de regresso que é a vida. Se não os atirasse ao mar de uma folha de papel, ou de um qualquer suporte mais difícil de traduzir em metáfora, afundar-se-me-ia a alma.
Mas também as há providas de asas. Só que a essas não as queremos deixar ir. E se por momentos as deixamos voar, é sempre amarrando-as bem a nós, para que voando nos elevem para lá de tudo o que nos submerge.

Darkness and light, that's what's inside!

segunda-feira, 10 de dezembro de 2007

The stranger

Just a glance and everything changes. A whole new world of possibilities unfolds with the sight of those unknown eyes. What unpronounceable spell unleashes such feeling, i can't tell! And how silently bright the gleam upon that stranger's face! How unavoidable its warmth! I ask myself what the odds are. What unsuspected desire to love! And then comes the time to leave. And it becomes so hard to turn my back on all the promises glimpsed. How i would want to see him again, even to follow him. Nonsense! Soon i will forget.

I don't know if my heart can take much more.

quarta-feira, 5 de dezembro de 2007

Regressar

E mais uma vez tanto mudou. Regressar. Preciso ouvir o que as ilhas têm para dizer de novo sobre mim. A verdade. É sempre o que dizem.

domingo, 2 de dezembro de 2007

O fim [ficção]

Sentara-me ao seu lado, de alma corroída pela dor da minha decisão. Olhava no vazio, procurando fugir àquele olhar inocente que ainda me fazia vibrar de amor, como naquele primeiro dia em que me sentira fulminado de águas límpidas. Esforçava-me por cerrar as narinas àquele perfume que nunca soube descrever, para que não deitasse por terra todas as muralhas que a custo lograra erguer.
- Estou cansado. Tão cansado.
- Eu sei. Não compreendo. Para ti nunca é suficiente.
- Talvez um dia percebas. Quando sentires que não é suficiente.
- Pois. Talvez. Mas eu amo-te.
- Pergunto-me se saberás mesmo o que é amar. E dói-me. É que te amo tanto.
- Mas então...
- Não o posso fazer sozinho. Não o posso fazer pelos dois. Tem de acabar. De que serve dizeres que me amas, se quando a voz se cala a solidão se instala de novo, e os gestos não são mais que ausência impenetrável, bloco de mármore pálido e frio, contra o qual esbarra o meu grito de necessidade, aquele que implorou amiúde que te entregasses a nós?
- Lá estás tu e as palavras.
- Se pudesses compreender que eu sou estas palavras e todas as outras que para ti são vento estéril, sobretudo quando não agradam ao teu egoísmo. Porque para ti está sempre tudo bem. É por isso que tenho de nos deixar para trás. Porque estou cansado do meu próprio eco. Porque estou fora de ti e tu estás entranhado em mim.
- Tu é que sabes. Não posso fazer nada.
Levantei-me. Ouvir mais seria insuportável. Ficar seria submeter-me a uma morte lenta. E se me morre a alma, que me resta?
Então afastei-me com lágrimas petrificadas na garganta.

sexta-feira, 30 de novembro de 2007

Je voulus quitter

Je voulus quitter l'île
Vers la mer infinie.

Je voulus quitter la terre
Vers un ciel étoilé.

Je voulus quitter mon corps
Vers des peaux étrangères.

Je voulus quitter l'amour
Et malgré moi je réussis.

Je voulus tant quitter tout
Puis je rencontrai le bleu dans ses yeux.

Et à présent je veux rester.

Para lá da tua pele

Para lá da tua pele
Não há aquele cheiro.

Cheiro doce
Não sei a quê
Cheiro que me preenche
Não sei com o quê.

quarta-feira, 28 de novembro de 2007

Iremos juntos sozinhos pela areia
Embalados no dia
Colhendo as algas roxas e os corais
Que na praia deixou a maré cheia.

As palavras que disseres e que eu disser
Serão somente as palavras que há nas coisas
Virás comigo desumanamente
Como vêm as ondas com o vento.

O belo dia liso como um linho
Interminável será sem um defeito
Cheio de imagens e conhecimento.

Sophia de Mello Breyner Andresen

sexta-feira, 23 de novembro de 2007

Assalto

Vieram durante a noite
Forçando todas as fechaduras
Vieram de dentro
Arrombando todas as saídas.

Tiraram-me o sono
Esvoançando céleres como num sonho
Abriram-me as pálpebras
Escarnecendo, gritando, ecoando.

Puxei de um caderno
E com a tinta de uma caneta
Preparei a armadilha.

Prendia-as no papel
Onde nem se mexiam
Perderam asas, cairam
Mas tiveram o que queriam!

quinta-feira, 22 de novembro de 2007

O corpo

O corpo desistira, abandonara-se a si próprio. Jazia agora numa praia sem mar à vista, coberto por areia de outras paragens, cujos finos grãos, pela acção acomodadora do tempo, haviam penetrado fundo, enchendo até mesmo o coração. Quando a neblina cerrada se retirou sem prenúncio, revelou-se um promissor mar sereno, de um azul brilhante, reflectindo carícias de um sol novo. E foi então que começou a soprar a doce brisa, dádiva marinha. Depressa expôs o corpo lívido à amenidade da recém-renascida paisagem litoral. O corpo ergueu-se, voltou a acreditar, ensaiou os primeiros passos como se fossem na verdade os primeiros. E eis que a brisa se tornou rajada, removendo os grãos instalados no interior; e leve, o corpo trilhou o caminho que o vento lhe indicava, semeado de promessas a que só um coração gelado por Invernos sem fim não se entregaria. Mas, de quando em quando, parava olhando para trás com insegurança. É que alguns grãos renitentes persistiam embutidos no coração e no cérebro, alimentados pelas forças reencontradas do corpo, e vibravam de saudade da praia mãe. Então o corpo, desejando deveras seguir em frente, gritava ao vento não sem algum desespero: "Mais forte! É preciso que sopres ainda mais forte!"

sábado, 17 de novembro de 2007

Lucerna corporis

Lucerna corporis est oculus. Si ergo fuerit oculus tuus simplex, totum corpus tuum lucidum erit; si autem oculus tuus nequam fuerit, totum corpus tuum tenebrosum erit. Si ergo lumen, quod in te est, tenebrae sunt, tenebrae quantae erunt!

Secundum Matthaeum 6, 22-23

quarta-feira, 14 de novembro de 2007

The cord

It's a multilayered cord channeling an invisible matter; it grows outside in and few things are as resilient as its core. No matter what harm is done to its outter layers, the deeper it penetrates, the harder it gets to affect the protected flow. And if you let that innermost strong, still extraordinarily thin wire come into existence, then you can be certain that you'll be connected for life.

But can the superficial layers, once severely damaged, regenerate?

sábado, 10 de novembro de 2007

Talvez pudesse, se...

Talvez pudesse quedar-me ali, parado no tempo, contemplando a linha recta dos lábios, curvando-se timidamente num sorriso quando os nossos olhos se encontravam e desencontravam naquele fingimento de indiferença. Talvez pudesse viver para sempre preso no desejo de repousar os meus lábios sobre os seus, suavemente rosados e polidos. Talvez pudesse ali ficar, sem nunca os aflorar, amando-o com o olhar. Talvez pudesse, se...

quinta-feira, 8 de novembro de 2007

A dualidade de amar

Il est humain de chercher la douleur et aussitôt à s'en délivrer. Les propositions qui sont capables d'y réussir nous semblent facilement vraies, on ne chicane pas beaucoup sur un calmant qui agit. Et puis, si multiple que soit l'être que nous aimons, il peut en tous cas nous présenter deux personnalités essentielles selon qu'il nous apparaît comme nôtre, ou comme tournant ses désirs ailleurs que vers nous. La première de ses personnalités possède la puissance particulière qui nous empêche de croire à la réalité de la seconde, le secret spécifique pour apaiser les souffrances que cette dernière a causées. L'être aimé est successivement le mal et le remède qui suspend et aggrave le mal.

Marcel Proust in Sodome et Gomorrhe

quarta-feira, 7 de novembro de 2007

What if we were meant to be together
What if you were meant to be the one
I could hide a million years and try to believe
That any time the boy in mind will come and rescue me

Cause you're the fire, you're the one
But you'll never see the sun
If you don't know, you're right next to the right one
And I could call it many names
But its myself I need to blame
If you don't know, you're right next to the right one

In the end you've got a friend for lifetime
Truly there to truly care for you
I know you cry a million tears so I want you to know
That a pretty face can take you to places you don't wanna go

Cause you're the fire, you're the one
But you'll never see the sun
If you don't know, youre right next to the right one
And I could call it many names
But its myself I need to blame
If you don't know, you're right next to the right one

So in the end it all depends on whether you'll find
Warm embraces when I replace the one you had in mind...

Cause you're the fire, you're the one
But you'll never see the sun
If you don't know, youre right next to the right one
And I could call it many names
But its myself I need to blame
If you don't know, you're right next to the right one


Sung by Céline Dion

sábado, 3 de novembro de 2007

23

Mais fácil seria o abandono de mim
Seguindo a corrente da vida sem a viver
Resignando-me aos abismos inertes
Onde tudo é gélido e medíocre

Injecto no peito anestesiado
O meu próprio veneno regenerador
Pulsa mais forte o coração
Enche-se o corpo de sangue revitalizado
Respiro ofegante, movo-me frenético

E sinto com cada centímetro de mim
As imagens, os sons, os cheiros e a pele que toca
Engulo a vida que por momentos deixei passar
Que agora transborda e verte dos poros dilatados.

quinta-feira, 1 de novembro de 2007

Esperança

Os muros que se erguem para nos barrar o caminho, monolíticos e insensíveis, não resistirão à impetuosidade do nosso amor imprevisto; e as asas dos nossos sonhos tatuados de utopia, levar-nos-ão para além dos horizontes visíveis.

domingo, 28 de outubro de 2007

O barco

O amor é um barco que se debate e fortalece no mar irado contra a tempestade, mas corre o risco de naufragar nas águas imóveis de um lago demasiado pequeno.

sexta-feira, 26 de outubro de 2007

Ghosts in my machine

Oh come and take this pain away
Oh come and take this pain away
Oh come and set my spirit free

I've seen too much
I know too much
I hurt too much
I feel too much
I dread too much
I dream too much
I'm caught up by the ghosts in my machine

I'm bruised and battered by the storm
Can't find a place to keep me warm
My mind is broken and forlorn

I think too much
I do too much
I fall too much
I fail too much
I cry too much
I die too much
I'm haunted by the ghosts in my machine

Give me some of that medicine
To make me forget
(i can't find it)
I need something easier
(can't find it)
'cuz I ain't found it yet
I ain't found it yet
I ain't found it
Oh no no no

My soul keeps hurting just the same
Oh come and take this pain away

I give too much
Get used too much
I lose too much
Get bruised too much
I bleed too much
I need too much
I'm sleeping with the ghosts in my machine

I said I love you baby
Guess I always do
I said I love to baby
Guess I always do
I said I love you baby
Guess I always do

Annie Lennox

domingo, 21 de outubro de 2007

Lágrimas

Somos lágrimas de Ré
Salgadas de alegria.

Que criariam os homens
De tantas lágrimas vertidas,
Se de demiurgo poder
Desfrutassem um só dia?

sexta-feira, 19 de outubro de 2007

May i be wise

May i be strong and wise enough to cut away from my heart each and every blossom of hatred that grows whenever life doesn't turn out to be as i would fashion it.

sábado, 13 de outubro de 2007

Drunk

It is a screen i swallowed, changing the world i see. If this demon inside gets drunk, then maybe i can cover this pain.

Setembro, Redondo, Vodka

quinta-feira, 11 de outubro de 2007

Il y a des mots

Há as palavras que se declinam em cada olhar, em cada gesto. E há as palavras que se esvaziam de acções ausentes.

quarta-feira, 10 de outubro de 2007

He was the one

He was the one
To receive all my wave frequencies
He was the one
Painting with all my colours
He was the one
Playing all my strings
He was the one
Who has seen it all
From bottom to top
From skin to bone
Et pourtant...

domingo, 7 de outubro de 2007

caelum amoris

In oculis eius caelum amoris uideo

I love your eyes, my dear
Their splendid sparkling fire
When suddenly you raise them so
To cast a swift embracing glance
Like lightning flashing in the sky
But there's a charm that is greater still
When my love's eyes are lowered
When all is fired by passion's kiss
And through the downcast lashes
I see the dull flame of desire

Dull flame of desire, Björk

sábado, 6 de outubro de 2007

mare nouum



Perdido no Alentejo, caminhei sobre cetáceos de granito e acariciei ondas petrificadas. Encontrei um novo mar.

quarta-feira, 3 de outubro de 2007

A haste


Nesta haste sem bandeira
Diagonal apontada solitária para o céu
Poria o teu estandarte azul celeste
Se dos teus olhos o pudesse trazer comigo.

domingo, 30 de setembro de 2007

Besoin de silence

Trop de voix qui hurlent pour rien dire; des mots vides, du vent sans odeur. Face à ce bruit fade et lourd, je prie le silence de nos deux corps qui s'aiment.

domingo, 2 de setembro de 2007

A humidade do Amor

No choque de dois corpos que se amam libertam-se copiosos os humores de Eros. Atraem-se, misturam-se, tornam mais intenso o cheiro que me inebria. Teu ou nosso, já não sei. E nesta efusão húmida dois seres procuram unir-se em um; desejo absurdo de não mais se separarem.

terça-feira, 28 de agosto de 2007

Um dia de Julho em Mora - Amours parallèles / Saudades

Est-ce qu'un vrai amour meurt jamais, surtout quand il est le premier? J'ai voulu croire que oui, quand un nouvel amour a enflammé mon coeur. J'ai cru qu'il anéantirait le précédent, mais là je crois que ce n'est pas tout à fait ce qui m'arrive. Bien sûr c'est le dernier le plus fort, celui qui commande tout; l'objet de toutes mes angoisses, mes désirs, mes bonheurs fous et aussi mes douleurs les plus profondes. Mais l'autre reste là, une ombre douce et bienveillante, pourtant déjà trop loin. Mais pas assez pour m'empêcher de penser souvent à lui; mémoires où étincelles d'un amour passé? Je ne sais pas, et je ne m'en soucis pas non plus. Puisque je n'ai pas de doutes sur mon avenir; il est clair, translucide comme l'eau de mon île, et c'est dans ses yeux bleus que je veux me noyer une dernière fois avant de fermer les miens.

........................................................................................................................................................................

Mora. É aqui que cultivo as saudades de ti, cujas raízes, caules e folhas se tornam mais espessas a cada dia que passa, nutridas pelas forças que luto por extrair de um optimismo improvável. Estás em tudo. No céu são os teus olhos que brilham, e não o sol. A alvura quase perfeita das paredes alentejanas sugere-me a tua pele. E dela nem duas semanas de água fria puderam aplacar o desejo ardente que me consome.
Onde antes o que me faria mais falta neste interior isolado seria a imensidão do mar, agora são apenas as vagas amenas de ti, acariciando as minhas areias negras, que distantes me mergulham numa violenta calmaria de saudade.

domingo, 8 de julho de 2007

Prenúncio de saudade

Porque não sou Proust, porque não sei as palavras. Queria escrever-te, dizer-te mais do que o "amo-te". Mas quando o digo, acredito que nele vês mais do que a simples articulação de sons vocálicos e consonânticos, mais do que uma entrada no dicionário, e mais do que um conceito estereotipado e rígido que absorvemos dos outros ao longo da vida. Até que um dia o sentimos. E é nosso. E mais ninguém o conhece exactamente como eu e tu. E é isso que o meu "amo-te" contém, acompanhado de um olhar que traduz essa originalidade, essa genuidade.

Tudo isto porque queria escrever, e não conseguia. Porque as saudades já começaram, e tal como o amor por ti, não as sei descrever. Nem sei se deva, se o quero fazer.

Porque mesmo lá longe, estarás tão perto. Fecho os olhos e vejo os teus, iluminando-me mais do que o Sol. Inspiro e tenho o teu cheiro bem fundo nas narinas. E a minha pele ainda guarda os traços que a tua tatuou. Momentos fotografados e filmados em mim, que verei sem cessar, para te amar e sentir que me amas sem te ter verdadeiramente ao meu lado.

sábado, 7 de julho de 2007

Fortress

His embrace, a fortress
It fuels me and places
A skeleton of trust
Right beneath us
Bone by bone
Stone by stone

Björk

terça-feira, 3 de julho de 2007

Sopro de vida

Cheiro novo
A olhos azuis
A pestanas de sol
A cabelo revolto
A pele branca
A barba por fazer
A lábios de veludo
A corpo delicado.

Perfume indizível
O que exalas
Excitando
Despertando
O meu amor
Por ti
Nascido
De ti.

Brisa suave
Nas margens
Dos lagos
Onde vejo
Reflectido
O meu futuro
Impossível
Se sem ti.

Sopro de vida
Tu, mon ciel!

segunda-feira, 2 de julho de 2007

Une sorte d'église

Je voulais pour nous deux bien mieux qu'une croyance
Alors je t'ai trouvé une sorte d'église
Dont les murs ne sont pas couverts de faïence, ni de marbre
Les vitraux je les brise, les piliers sont des arbres
L'autel est un rocher tapissé de lichen
On y parle, ni pardon, ni péché
On n'y fait pas l'commerce de douleurs et de peines
On n'y adore ni Dieu ni Diable
Mais la beauté des corps et le sort qui a mis ton amour dans mes veines

Je nous veux sans frontières, sans limites et sans lois
Je veux te respirer, te vivre et vivre en toi
Et croire qu'avant nous tout ça n'existait pas

Nous deux, nous méritons bien plus haut qu'une voûte
Alors je t'ai trouvé une plaine sans routes
Et sans autre limite que les points cardinaux
Et sans traces que celles de nos chevaux qui absorbent l'espace
Au sommet d'une colline j'allume une flamme
Pour qu'on sache qu'un homme une femme
Fêterons sous la Lune la nuit de l'origine
Sacrifice au bohneur de leurs âmes, au futur de leurs fils
Ici les Dieux s'adorent sans aucun artifice

Je nous veux sans frontières, sans limites et sans lois
Je veux te respirer, te vivre et vivre en toi
Et croire qu'avant nous tout ça n'existait pas

Daran

You're not from here

I don't know what is going on
You turn around and touch my heart
A silent moment speaks the truth
Something has happened all at once
It should have scared me in advance
But I was falling in those eyes of yours
And so
Fear was gone
I knew there was nothing else
I'd ever want

I know you
You're not from here
I've waited for you to appear
To take my breath away
And make me weep
You're not from here
Not from this here and now
Just a touch of yours
And I fly... and I fly... and I fly

I can't get used to missing you
If this is how it's gotta be
I need an angel to watch over me
No one can hold the hands of time
But I can hold you in my mind
Over and over like a melody
For now
I'll stand still
For now
I'll be filled by the memory of your skin

I know you
You're not from here
You don't belong to lies and tears
The greatness of your soul
Makes me weep
You're not from here
Not from this here and now
Just a touch of yours
And I fly... and I fly... and I fly

Lara Fabian


sábado, 30 de junho de 2007

Apologia

Outside this room, no one ever sees the whole me, only the stronger side...E se me precipito em insensatez, é pela necessidade de sentir que te tenho plenamente. É por sentir que tanto de ti está ainda longe do meu alcance, que o medo de perder o que já tenho se transforma em momentos de pânico imponderável. Because i'm not unbreakable...and i try hard to believe...i really do...

quinta-feira, 28 de junho de 2007

Azorean torpor


Um céu de algodão sujo tolda o arquipélago das nove ilhas; o «mormaço» apaga os contornos do mar e da terra, e, amolecendo os pastos à custa do proprietário e do pastor, dilui e arrasta as vontades, dá a homens e a coisas uma doença quase de alma, a que os ingleses, médicos do bem-estar, puseram uma etiqueta como quem descobre uma planta nova neste mundo seco e velho: "Azorean torpor".

Vitorino Nemésio



Ainda que longe das ilhas, no clima decidido de Lisboa, o torpor desce sobre mim de quando em quando, encobrindo sentimentos, os bons e os nefastos, cortando temporariamente os filamentos que a eles me ligam. Por dentro perco de vista os contornos da alma, embebida na fatalidade das origens.

terça-feira, 26 de junho de 2007

Quero tempo...

Quero tempo. Tempo para desvendar esse país fértil que me mostras no olhar. Tempo para saborear as novas palavras que descobrimos dentro de nós; e o néctar idílico dos teus lábios...oh quero tanto tempo para te beijar! Esquecer o mundo nos teus braços e repousar a minha pele na tua. Quero simplesmente tempo para te amar.

domingo, 24 de junho de 2007

C'est bien ça ce qu'on appelle l'amour!

Je vous raconte sur ce qui m'habite à présent. Ça me fait du mal, mais ça me fait du bien. Je meurs de lui, mais il me tient vivant. La peur, les doutes et l'absence: je les côtoye souvent. Le bonheur, les sourires et les instants doux: je les revie incessamment. Je veux de toi, je veux du nous, et cette attente me rend fou.

Et puis malgré tout, je me dis: C'est bien ça ce qu'on appelle l'amour!

sábado, 23 de junho de 2007

Le géographe

La sixième planète était une planète dix fois plus vaste. Elle était habitée par un vieux monsieur qui écrivait d'énormes livres.
«Tiens! voilà un explorateur!» s'écria-t-il, quand il aperçut le petit prince.
Le petit prince s'assit sur la table et souffla un peu. Il avait déjà tant voyagé!
«D'où viens-tu?? lui dit le vieux monsieur.
- Quel est ce gros livre? dit le petit prince. Que faites-vous ici?
- Je suis géographe, dit le vieux monsieur.
- Qu'est-ce qu'un géographe?
- C'est un savant qui connaît où se trouvent les mers, les fleuves, les villes, les montagnes et les déserts.
- Ça c'est bien intéressant, dit le petit prince. Ça c'est enfin un véritable métier!» Et il jeta un coup d'oeil autour de lui sur la planète du géographe. Il n'avait jamais vu encore une planète aussi majestueuse.
«Elle est bien belle, votre planète. Est-ce qu'il y a des océans?
- Je ne puis pas le savoir, dit le géographe.
- Ah! (Le petit prince était déçu.) Et des montagnes?
- Je ne puis pas le savoir, dit le géographe.
- Et des villes et des fleuves et des déserts?
- Je ne puis pas le savoir non plus, dit le géographe.
- Mais vous êtes géographe!
- C'est exact, dit le géographe, mais je ne suis pas explorateur. Je manque absolument d'explorateurs. Ce n'est pas le géographe qui va faire le compte des villes, des fleuves, des montagnes, des mers, des océans et des déserts. Le géographe est trop important pour flâner. Il ne quitte pas son bureau. Mais il y reçoit les explorateurs. Il les interroge, et il prend en note leurs souvenirs. Et si les souvenirs de l'un d'entre eux lui paraissent intéressants, le géographe fait faire une enquête sur la moralité de l'explorateur.
- Pourquoi ça?
- Parce qu'un explorateur qui mentirait entraînerait des catastrophes dans les livres de géographie. Et aussi un explorateur qui boirait trop.
- Pourquoi ça? fit le petit prince.
- Parce que les ivrognes voient double. Alores le géographe noterait deux montagnes, là où il n'y a qu'une seule.
- Je connais quelqu'un, dit le petit prince, qui serait mauvais explorateur.
- Donc, quand la moralité de l'explorateur paraît bonne, on fait une enquête sur sa découverte.
- On va voir?
- Non.Cest trop compliqué. Mais on exige de l'explorateur qu'il fournisse des preuves. S'il s'agit par exemple de la découverte d'une grosse montagne, on exige qu'il en rapporte de grosses pierres.»
Le géographe soudain s'emut.
«Mais toi, tu viens de loin! Tu es explorateur! Tu va me décrire ta planète!»
Et le géographe, ayant ouvert son registre, tailla son crayon. On note d'abord au crayon les récits des explorateurs. On attends, pour noter à l'encre, que l'explorateur ait fourni des preuves.
«Alors! interrogea le géographe.
- Oh! chez moi, dit le petit prince, ce n'est pas très intéressant, c'est tout petit. J'ai trois volcans. Deux volcans en activité, et un volcan éteint. Mais on ne sait jamais.
- On ne sait jamais, dit le géographe.
- J'ai aussi une fleur.
- Nous ne notons pas les fleurs, dit le géographe.
- Pourquoi ça! C'est le plus joli!
- Parce que les fleurs sont éphémères.
- Qu'est-ce que signifie: "éphémère"?
- Les géographies , dit le géographes, sont les livres les plus sérieux de tous les livres. Elles ne se démodent jamais. Il est très rare qu'une montagne change de place. Il est très rare qu'un océan se vide de son eau. Nous écrivont des choses éternelles.
- Mais les volcans éteints peuvent se réveiller, interrompit le petit prince. Qu'est-ce que signifie: "éphémère"?
- Que les volcans soient éteints ou soient éveillés, ça revient au même pour nous autres, dit le géographe. Ce qui compte pour nous, c'est la montagne. Elle ne change pas.
- Mais qu'est-ce que signifie "éphémère"? répéta le petit prince qui, de sa vie, n'avait renoncé à une question, une fois qu'il l'avait posée.
- Ça signifie "qui est ménacé par la disparition prochaine".
- Bien sûr.»
«Ma fleur est éphémère, se dit le petit prince, et elle n'a que quatre épines pour se défendre contre le monde! Et je l'ai laissé toute seule chez moi!»
Ce fut là son premier mouvement de regret. Mais il reprit courage:
«Que me conseillez-vous d'aller visiter? demanda-t-il.
- La planète Terre, lui répondit le géographe. Elle a une bonne réputation...»
Et le petit prince s'en fut, songeant à sa fleur.

Antoine de Saint-Exupéry

quinta-feira, 21 de junho de 2007

Bí liom

Bí liom a stór mo chroísa ná scaoil mé go deo
Bí liom is tabhairt domh misneach
Gan eagla orm sa cheo

Bí liom nach fada 'n oíche gan tú ag mo thaobh

Suílfidh mé amach ar imeall ag cuartú ceol binn úr

Bí liom ar lorg síocháin is saoirse fadó
Dúirt tú liom éist fuaim an chláirseach
Sin é an ceol binn úr

terça-feira, 19 de junho de 2007

Pedaços de céu / Terra húmida

Por entre raios de sol, pedaços de céu afloram os meus olhos de terra húmida. E o calor penetra em profundidade no solo adubado de amor por ti. Como trepadeiras envolvendo-te, avançam desejos de te apertar nos meus braços e reposar os meus lábios nos teus.

Que os teus sóis brilhem sempre sobre mim. Que os ventos tépidos do que nos une afastem sempre as nuvens de tempestade que ameacem esconder de mim o céu protector dos teus olhos.

segunda-feira, 18 de junho de 2007

Conquered

You've already won me over in spite of me
And don't be alarmed if I fall head over feet
Don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault

Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for

Alanis Morissette


terça-feira, 12 de junho de 2007

Noites sem ti / Manhãs de esperança

Desde que me habitas, adormecer é atravessar o deserto. O meu corpo sente-se pequeno demais na vastidão dos lençóis. Não tem frio. Nem calor. Apenas sede de ti. Faim de toi. Cerro os olhos em busca da miragem. Recordo. Reinvento-te. Reconstruo-te. Projecto-me em futuros possíveis. Tu. Só tu. Despido do que nos separa, envolves-me e mergulhas-me num sono generoso. Langueo. Tendre sommeil. Into oblivion.
Morning brings you hovering inches from my skin. Mon coeur te suit, débordant. Mes yeux te cherchent, encore fermés.
E penso que um dia...tu ali. Pressionar-te contra mim. Inalar-te sem pudor. Oscilar ao ritmo do que te anima. Batimentos desencontrados, convergindo num só, maior que nós.
Mais un jour si loin. Qu'importe? Puisqu'on s'aime. Und das Meer ist ruhig.

Death of the beast / Freedom of an orchid

I finally let you go
Your roots no longer feeding on my heart
The beast to be tamed has died
And love perished.
A new flame turned it to ashes
A new colour made it hollow.
Nothing lingers but the beautiful memories
The unreplaceable moments drowned in the past.
Stronger wings have dried, and now i'm flying again.
So close the little door, seek a brighter sun,
A fertile soil awaits you, don't fear it.
I know you can reach it.
Remember how you made me who i am
How we made us who we are.

segunda-feira, 11 de junho de 2007

Identidade

Chorar o Atlântico

Cuspir do fundo da garganta a rocha negra

Reter a bruma no cabelo coberto de musgo

Erica azorica rasgando cada poro

Ter o coração por epicentro, câmara magmática

Nas profundezas o canto do cachalote

Trazer as ilhas no olhar

sexta-feira, 8 de junho de 2007

Le garçon aux yeux de ciel

J'aime la tendresse sur sa voix
Et la pudeur de son sourire
Quand je lui avoue mon bonheur fou
Et le rouge envahit ses joues.

Je ris et je pleure malgré moi
Quand je pense à nos peaux qui s'attirent.
Et quand le jour de nos baisers viendra
Un tout nouveau monde nous serrera.

Je vous dis que c'est doux comme du miel
D'aimer le garçon aux yeux de ciel!

Mountains


once i was a big old bear
reigning blows on sparkly snares
in the woods after the snow
the white noise witch her hammers cold
rest beneath the pine and rose
in our suits and sunday clothes

cheer up my brother
it’s going to be alright
i know your hearts are heavy as mountains
but we're going to go back home one day

hang there little winter star
tell me who you really are
up above the world so high
like a diamond in the sky
born with honey in my hair
once i was a big old bear

cheer up my brother
it’s going to be alright
i know your hearts are heavy as mountains
but we're going to go back home one day

wore my dress up to my knees
there’s ghosts of babies in the streams

Sparklehorse

quarta-feira, 6 de junho de 2007

Dernier mot

Parce qu'aujourd'hui mon sourire a perdu ses artifices. Parce qu'aujourd'hui mon coeur bat plus fort, désabusé. Parce qu'aujourd'hui les mots ne sont pas les mêmes. Et si tu ne le vois pas, c'est à force de combler ce vide d'un moi que tu inventes à ton gré. Tu ne me connais pas. J'ai aimé. Pas toi. J'ai été marqué une seule fois. Mais pas par toi. Toi, que du vent. Toi, que du brouillard. Toi, ma plus grande erreur. Pour toi, de l'indifférence. Et c'est bien ta faute. Et crois-moi - mais finalement que je m'en fou de ce que tu crois - ce qui m'habite à présent c'est tout nouveau, c'est de l'Immensité. Aux dieux de me juger.

L'amour naissant

Eu. Ígneo e telúrico, percorrido por lavas fundentes, por entre colossos negros de arestas irregulares e cortantes; erupções imprevisíveis. Basalto. Na transparência cristalina de lagunas gémeas, procuro as águas onde arrefecer as correntes incandescentes. Litoral redefinido, suavemente acariciado pelas vagas de um olhar.

E um espaço que separa, mas sem vazio. Espaço de fluído denso, de doce magnetismo. Preenchido por desejos e beijos imaterializados. Olhares, iões de paixão que fulminam, que aceleram o coração. Promessas de "Um dia...", de "quando", de "nunca" e de "sempre". Não são promessas. São o que sinto.

Por agora, encontros secretos, literatura espanhola, escadas ao sol, patos, momentos contados, palavras lidas, gestos reprimidos, lábios dormentes, mãos que se apertam num prenúncio de liberdades vindouras. Impaciência. Mas que importa, pois se te... e tanto por descobrir.

segunda-feira, 4 de junho de 2007

Pertença

Sentia-se ali como a prancha que vem do alto mar e encontra enfim uma posição capaz de fixar as gaivotas e a sua própria massa de seivas, as suas fibras, os furos a que se agarram conchinhas e algas verdes.

Vitorino Nemésio, in Mau Tempo No Canal

domingo, 3 de junho de 2007

C'est une belle journée

Oh philosophie
Dis-moi des élégies
Le bonheur
Lui me fait peur
D'avoir tant d'envies
Moi j'ai un souffle au cœur

Mylène Farmer

Acordei a sorrir. Olhei-me por dentro. Descobri um mar novo vertido dos teus olhos, inundando-me. Uma vela abandonada numa praia de areia escura. Cravei-a no coração. E o vento nunca soprou tão forte, tão cálido. No horizonte uma nova terra. Mes paradis pleins de toi.

sábado, 2 de junho de 2007

Je plane

Au-dessus des étangs, au-dessus des vallées,
Des montagnes, des bois, des nuages, des mers,
Par delà le soleil, par delà les éthers,
Par delà les confins des sphères étoilées

Charles Baudelaire



J'ai perdu mes mots, je voulais le dire, l'exprimer, le crier même. Mais là c'est trop fort, trop grand...je ne sais pas comment ni pourquoi...c'est trop. Et je plane...

quarta-feira, 30 de maio de 2007

Gravity of love

"O Fortuna uelut Luna" Turn around and smell what you don't see Close your eyes ... it is so clear Here's the mirror, behind there is a screen On both ways you can get in. Don't think twice before you listen to your heart, Follow the trace for a new start. What you need and everything you'll feel Is just a question of the deal. In the eye of storm you'll see a lonely dove The experience of survival is the key To the gravity of love. "O Fortuna velut Luna" The path of excess leads to the tower of Wisdom Try to think about it... That's the chance to live your life and discover What it is, what's the gravity of love "O Fortuna uelut Luna" Look around just people, can you hear their voice Find the one who'll guide you to the limits of your choice. But if you're in the eye of storm Just think of the lonely dove The experience of survival is the key To the gravity of love. "O Fortuna uelut Luna"

segunda-feira, 28 de maio de 2007

Rien qu'un petit poème insensé

Aimer, lui.
Me donner, malgré
Ce beau passé,
N'est plus que des mots qu'on se dit.

À présent ce n'est plus la peine,
Puisque on n'est plus les mêmes.

Et pourtant j'avais cru que...

sexta-feira, 25 de maio de 2007

Mea culpa

Plumbeo sub caelo eramus. Verba ibi dixisti, quae audire nolebam. Sed in oculis tuis uera erant. Et cor meum in abyssum descendit.

segunda-feira, 14 de maio de 2007

Wash your nightmares away...if i could

Sleep, don't weep, my sweet love
Your face is all wet and your day was rough
So do what you must do to find yourself
Wear another shoe, paint my shelves
Those times that I was broke, and you stood strong
I think I found a place where I...

Sleep, don't weep, my sweet love
Your face it's all wet 'cause our days were rough
So do what you must do to fill that hole
Wear another shoe to comfort the soul
Those times that I was broke, and you stood strong
I think I found a place where I feel I will...

Sleep, don't weep, my sweet love
My face it's all wet 'cause my day was rough
So do what you must do to find yourself
Wear another shoe, paint my shelves
Those times that I was broke, and you stood strong
I hope I find a place where I feel I belong

Sleep, don't weep, my sweet love
My face is all wet 'cause my day was rough

Damien Rice

Hard to please

Small things nourish my ability to love. Ignition of the heart. And when the whole picture is appealing there's always that little something inhibiting the spark. And so the reek lingers in my nostrils, the unpleasant taste of a kiss that never took place.

segunda-feira, 7 de maio de 2007

Suauis cupido

Enquanto debitava um discurso árido que a minha atenção recusava absorver, eu olhava-lhe para o nariz. Pensava como era belo. Pequeno e recto, erguia-se suavemente na planura da face, quase feminino. Por vezes os seus olhos prendiam os meus. Olhos que outrora foram a minha perdição. Ou salvação? De um castanho sólido, invasivo. Talvez por isso um dia pensei que eram verdes. Só vira aquela impenetrabilidade em olhos de um verde cristalino. Mas são castanhos. Depois lembrei-me das mãos. Baixei o olhar enquanto continuava fingindo interesse nas palavras inúteis que insistia em proferir. Ao ver as mãos, percorreu-me uma onda de doce desejo. Robustas, de dedos delicados, revestidas pela mesma pele leitosa que o percorre por inteiro. Perdi-me então na atracção exercida pela alvura literária da tua pele; e quis que te calasses; e anseei por possuí-la com a paixão que agora é carne.

sexta-feira, 4 de maio de 2007

En passant

Toutes les ébènes ont rendez-vous
Lambeaux de nuit quand nos ombres s'éteignent
Des routes m'emmènent, je ne sais où
J'avais les yeux perçants avant, je voyais tout

Doucement reviennent à pas de loups
Reines endormies, nos déroutes anciennes
Coulent les fontaines jusqu'où s'échouent
Les promesses éteintes et tous nos vœux dissous

C'était des ailes et des rêves en partage
C'était des hivers et jamais le froid
C'était des grands ciels épuisés d'orages
C'était des paix que l'on ne signait pas

Des routes m'emmènent, je ne sais où
J'ai vu des oiseaux, des printemps, des cailloux
En passant

Toutes nos défaites ont faim de nous
Serments résignés sous les maquillages
Lendemains de fête, plus assez saouls
Pour avancer, lâcher les regrets trop lourds


Déjà ces lents, ces tranquilles naufrages

Déjà ces cages qu'on attendait pas

Déjà ces discrets manques de courage

Tout ce qu'on ne sera jamais, déjà

J'ai vu des bateaux, des fleurs, des rois
Des matins si beaux, j'en ai cueilli parfois
En passant

Jean-Jacques Goldman

terça-feira, 1 de maio de 2007

Can it be? / Dúvida

Terás tu razão? E se daqui a dez anos? É que sabes, faz sentido que assim seja. Porque como não voltar, como estar em paz com a minha solidão se isto não é o que acreditei ser. Mas dois anos de felicidade não se passam sem que aquilo exista, forte, unindo-nos para lá da razão. Ardeu. Tem de ter ardido. Queimei-me. Lembro-me bem. Mas a água avançou e eu não me apercebi. A água que ferve enquanto escrevo estas palavras. A chama que luta por não se apagar. Talvez se esteja a apagar. Talvez seja isso. E tudo o que ainda sinto são ondas de calor que me percorrem violentamente quando piso terreno desconhecido. O calor da habituação. De me ter entregue completamente. De só o ter conhecido com ele. E um dia estes resíduos sedimentar-se-ão, formando uma generosa camada em torno do meu coração. Como na madeira de uma árvore um anel de uma estação fértil. Terre promise. Les oiseaux s'en souviennent.