Perdido no Alentejo, caminhei sobre cetáceos de granito e acariciei ondas petrificadas. Encontrei um novo mar.
sábado, 6 de outubro de 2007
quarta-feira, 3 de outubro de 2007
A haste
domingo, 30 de setembro de 2007
Besoin de silence
Trop de voix qui hurlent pour rien dire; des mots vides, du vent sans odeur. Face à ce bruit fade et lourd, je prie le silence de nos deux corps qui s'aiment.
domingo, 2 de setembro de 2007
A humidade do Amor
No choque de dois corpos que se amam libertam-se copiosos os humores de Eros. Atraem-se, misturam-se, tornam mais intenso o cheiro que me inebria. Teu ou nosso, já não sei. E nesta efusão húmida dois seres procuram unir-se em um; desejo absurdo de não mais se separarem.
terça-feira, 28 de agosto de 2007
Um dia de Julho em Mora - Amours parallèles / Saudades
Est-ce qu'un vrai amour meurt jamais, surtout quand il est le premier? J'ai voulu croire que oui, quand un nouvel amour a enflammé mon coeur. J'ai cru qu'il anéantirait le précédent, mais là je crois que ce n'est pas tout à fait ce qui m'arrive. Bien sûr c'est le dernier le plus fort, celui qui commande tout; l'objet de toutes mes angoisses, mes désirs, mes bonheurs fous et aussi mes douleurs les plus profondes. Mais l'autre reste là, une ombre douce et bienveillante, pourtant déjà trop loin. Mais pas assez pour m'empêcher de penser souvent à lui; mémoires où étincelles d'un amour passé? Je ne sais pas, et je ne m'en soucis pas non plus. Puisque je n'ai pas de doutes sur mon avenir; il est clair, translucide comme l'eau de mon île, et c'est dans ses yeux bleus que je veux me noyer une dernière fois avant de fermer les miens.
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Mora. É aqui que cultivo as saudades de ti, cujas raízes, caules e folhas se tornam mais espessas a cada dia que passa, nutridas pelas forças que luto por extrair de um optimismo improvável. Estás em tudo. No céu são os teus olhos que brilham, e não o sol. A alvura quase perfeita das paredes alentejanas sugere-me a tua pele. E dela nem duas semanas de água fria puderam aplacar o desejo ardente que me consome.
Onde antes o que me faria mais falta neste interior isolado seria a imensidão do mar, agora são apenas as vagas amenas de ti, acariciando as minhas areias negras, que distantes me mergulham numa violenta calmaria de saudade.
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Mora. É aqui que cultivo as saudades de ti, cujas raízes, caules e folhas se tornam mais espessas a cada dia que passa, nutridas pelas forças que luto por extrair de um optimismo improvável. Estás em tudo. No céu são os teus olhos que brilham, e não o sol. A alvura quase perfeita das paredes alentejanas sugere-me a tua pele. E dela nem duas semanas de água fria puderam aplacar o desejo ardente que me consome.
Onde antes o que me faria mais falta neste interior isolado seria a imensidão do mar, agora são apenas as vagas amenas de ti, acariciando as minhas areias negras, que distantes me mergulham numa violenta calmaria de saudade.
domingo, 8 de julho de 2007
Prenúncio de saudade
Porque não sou Proust, porque não sei as palavras. Queria escrever-te, dizer-te mais do que o "amo-te". Mas quando o digo, acredito que nele vês mais do que a simples articulação de sons vocálicos e consonânticos, mais do que uma entrada no dicionário, e mais do que um conceito estereotipado e rígido que absorvemos dos outros ao longo da vida. Até que um dia o sentimos. E é nosso. E mais ninguém o conhece exactamente como eu e tu. E é isso que o meu "amo-te" contém, acompanhado de um olhar que traduz essa originalidade, essa genuidade.
Tudo isto porque queria escrever, e não conseguia. Porque as saudades já começaram, e tal como o amor por ti, não as sei descrever. Nem sei se deva, se o quero fazer.
Porque mesmo lá longe, estarás tão perto. Fecho os olhos e vejo os teus, iluminando-me mais do que o Sol. Inspiro e tenho o teu cheiro bem fundo nas narinas. E a minha pele ainda guarda os traços que a tua tatuou. Momentos fotografados e filmados em mim, que verei sem cessar, para te amar e sentir que me amas sem te ter verdadeiramente ao meu lado.
Tudo isto porque queria escrever, e não conseguia. Porque as saudades já começaram, e tal como o amor por ti, não as sei descrever. Nem sei se deva, se o quero fazer.
Porque mesmo lá longe, estarás tão perto. Fecho os olhos e vejo os teus, iluminando-me mais do que o Sol. Inspiro e tenho o teu cheiro bem fundo nas narinas. E a minha pele ainda guarda os traços que a tua tatuou. Momentos fotografados e filmados em mim, que verei sem cessar, para te amar e sentir que me amas sem te ter verdadeiramente ao meu lado.
sábado, 7 de julho de 2007
Fortress
His embrace, a fortress
It fuels me and places
A skeleton of trust
Right beneath us
Bone by bone
Stone by stone
Björk
It fuels me and places
A skeleton of trust
Right beneath us
Bone by bone
Stone by stone
Björk
terça-feira, 3 de julho de 2007
Sopro de vida
Cheiro novo
A olhos azuis
A pestanas de sol
A cabelo revolto
A pele branca
A barba por fazer
A lábios de veludo
A corpo delicado.
Perfume indizível
O que exalas
Excitando
Despertando
O meu amor
Por ti
Nascido
De ti.
Brisa suave
Nas margens
Dos lagos
Onde vejo
Reflectido
O meu futuro
Impossível
Se sem ti.
Sopro de vida
Tu, mon ciel!
A olhos azuis
A pestanas de sol
A cabelo revolto
A pele branca
A barba por fazer
A lábios de veludo
A corpo delicado.
Perfume indizível
O que exalas
Excitando
Despertando
O meu amor
Por ti
Nascido
De ti.
Brisa suave
Nas margens
Dos lagos
Onde vejo
Reflectido
O meu futuro
Impossível
Se sem ti.
Sopro de vida
Tu, mon ciel!
segunda-feira, 2 de julho de 2007
Une sorte d'église
Je voulais pour nous deux bien mieux qu'une croyance
Alors je t'ai trouvé une sorte d'église
Dont les murs ne sont pas couverts de faïence, ni de marbre
Les vitraux je les brise, les piliers sont des arbres
L'autel est un rocher tapissé de lichen
On y parle, ni pardon, ni péché
On n'y fait pas l'commerce de douleurs et de peines
On n'y adore ni Dieu ni Diable
Mais la beauté des corps et le sort qui a mis ton amour dans mes veines
Je nous veux sans frontières, sans limites et sans lois
Je veux te respirer, te vivre et vivre en toi
Et croire qu'avant nous tout ça n'existait pas
Nous deux, nous méritons bien plus haut qu'une voûte
Alors je t'ai trouvé une plaine sans routes
Et sans autre limite que les points cardinaux
Et sans traces que celles de nos chevaux qui absorbent l'espace
Au sommet d'une colline j'allume une flamme
Pour qu'on sache qu'un homme une femme
Fêterons sous la Lune la nuit de l'origine
Sacrifice au bohneur de leurs âmes, au futur de leurs fils
Ici les Dieux s'adorent sans aucun artifice
Je nous veux sans frontières, sans limites et sans lois
Je veux te respirer, te vivre et vivre en toi
Et croire qu'avant nous tout ça n'existait pas
Daran
Alors je t'ai trouvé une sorte d'église
Dont les murs ne sont pas couverts de faïence, ni de marbre
Les vitraux je les brise, les piliers sont des arbres
L'autel est un rocher tapissé de lichen
On y parle, ni pardon, ni péché
On n'y fait pas l'commerce de douleurs et de peines
On n'y adore ni Dieu ni Diable
Mais la beauté des corps et le sort qui a mis ton amour dans mes veines
Je nous veux sans frontières, sans limites et sans lois
Je veux te respirer, te vivre et vivre en toi
Et croire qu'avant nous tout ça n'existait pas
Nous deux, nous méritons bien plus haut qu'une voûte
Alors je t'ai trouvé une plaine sans routes
Et sans autre limite que les points cardinaux
Et sans traces que celles de nos chevaux qui absorbent l'espace
Au sommet d'une colline j'allume une flamme
Pour qu'on sache qu'un homme une femme
Fêterons sous la Lune la nuit de l'origine
Sacrifice au bohneur de leurs âmes, au futur de leurs fils
Ici les Dieux s'adorent sans aucun artifice
Je nous veux sans frontières, sans limites et sans lois
Je veux te respirer, te vivre et vivre en toi
Et croire qu'avant nous tout ça n'existait pas
Daran
You're not from here
I don't know what is going on
You turn around and touch my heart
A silent moment speaks the truth
Something has happened all at once
It should have scared me in advance
But I was falling in those eyes of yours
And so
Fear was gone
I knew there was nothing else
I'd ever want
I know you
You're not from here
I've waited for you to appear
To take my breath away
And make me weep
You're not from here
Not from this here and now
Just a touch of yours
And I fly... and I fly... and I fly
I can't get used to missing you
If this is how it's gotta be
I need an angel to watch over me
No one can hold the hands of time
But I can hold you in my mind
Over and over like a melody
For now
I'll stand still
For now
I'll be filled by the memory of your skin
I know you
You're not from here
You don't belong to lies and tears
The greatness of your soul
Makes me weep
You're not from here
Not from this here and now
Just a touch of yours
And I fly... and I fly... and I fly
Lara Fabian
You turn around and touch my heart
A silent moment speaks the truth
Something has happened all at once
It should have scared me in advance
But I was falling in those eyes of yours
And so
Fear was gone
I knew there was nothing else
I'd ever want
I know you
You're not from here
I've waited for you to appear
To take my breath away
And make me weep
You're not from here
Not from this here and now
Just a touch of yours
And I fly... and I fly... and I fly
I can't get used to missing you
If this is how it's gotta be
I need an angel to watch over me
No one can hold the hands of time
But I can hold you in my mind
Over and over like a melody
For now
I'll stand still
For now
I'll be filled by the memory of your skin
I know you
You're not from here
You don't belong to lies and tears
The greatness of your soul
Makes me weep
You're not from here
Not from this here and now
Just a touch of yours
And I fly... and I fly... and I fly
Lara Fabian
sábado, 30 de junho de 2007
Apologia
Outside this room, no one ever sees the whole me, only the stronger side...E se me precipito em insensatez, é pela necessidade de sentir que te tenho plenamente. É por sentir que tanto de ti está ainda longe do meu alcance, que o medo de perder o que já tenho se transforma em momentos de pânico imponderável. Because i'm not unbreakable...and i try hard to believe...i really do...
quinta-feira, 28 de junho de 2007
Azorean torpor
Um céu de algodão sujo tolda o arquipélago das nove ilhas; o «mormaço» apaga os contornos do mar e da terra, e, amolecendo os pastos à custa do proprietário e do pastor, dilui e arrasta as vontades, dá a homens e a coisas uma doença quase de alma, a que os ingleses, médicos do bem-estar, puseram uma etiqueta como quem descobre uma planta nova neste mundo seco e velho: "Azorean torpor".
Vitorino Nemésio
Ainda que longe das ilhas, no clima decidido de Lisboa, o torpor desce sobre mim de quando em quando, encobrindo sentimentos, os bons e os nefastos, cortando temporariamente os filamentos que a eles me ligam. Por dentro perco de vista os contornos da alma, embebida na fatalidade das origens.
terça-feira, 26 de junho de 2007
Quero tempo...
Quero tempo. Tempo para desvendar esse país fértil que me mostras no olhar. Tempo para saborear as novas palavras que descobrimos dentro de nós; e o néctar idílico dos teus lábios...oh quero tanto tempo para te beijar! Esquecer o mundo nos teus braços e repousar a minha pele na tua. Quero simplesmente tempo para te amar.
domingo, 24 de junho de 2007
C'est bien ça ce qu'on appelle l'amour!
Je vous raconte sur ce qui m'habite à présent. Ça me fait du mal, mais ça me fait du bien. Je meurs de lui, mais il me tient vivant. La peur, les doutes et l'absence: je les côtoye souvent. Le bonheur, les sourires et les instants doux: je les revie incessamment. Je veux de toi, je veux du nous, et cette attente me rend fou.
Et puis malgré tout, je me dis: C'est bien ça ce qu'on appelle l'amour!
Et puis malgré tout, je me dis: C'est bien ça ce qu'on appelle l'amour!
sábado, 23 de junho de 2007
Le géographe
La sixième planète était une planète dix fois plus vaste. Elle était habitée par un vieux monsieur qui écrivait d'énormes livres.
«Tiens! voilà un explorateur!» s'écria-t-il, quand il aperçut le petit prince.
Le petit prince s'assit sur la table et souffla un peu. Il avait déjà tant voyagé!
«D'où viens-tu?? lui dit le vieux monsieur.
- Quel est ce gros livre? dit le petit prince. Que faites-vous ici?
- Je suis géographe, dit le vieux monsieur.
- Qu'est-ce qu'un géographe?
- C'est un savant qui connaît où se trouvent les mers, les fleuves, les villes, les montagnes et les déserts.
- Ça c'est bien intéressant, dit le petit prince. Ça c'est enfin un véritable métier!» Et il jeta un coup d'oeil autour de lui sur la planète du géographe. Il n'avait jamais vu encore une planète aussi majestueuse.
«Elle est bien belle, votre planète. Est-ce qu'il y a des océans?
- Je ne puis pas le savoir, dit le géographe.
- Ah! (Le petit prince était déçu.) Et des montagnes?
- Je ne puis pas le savoir, dit le géographe.
- Et des villes et des fleuves et des déserts?
- Je ne puis pas le savoir non plus, dit le géographe.
- Mais vous êtes géographe!
- C'est exact, dit le géographe, mais je ne suis pas explorateur. Je manque absolument d'explorateurs. Ce n'est pas le géographe qui va faire le compte des villes, des fleuves, des montagnes, des mers, des océans et des déserts. Le géographe est trop important pour flâner. Il ne quitte pas son bureau. Mais il y reçoit les explorateurs. Il les interroge, et il prend en note leurs souvenirs. Et si les souvenirs de l'un d'entre eux lui paraissent intéressants, le géographe fait faire une enquête sur la moralité de l'explorateur.
- Pourquoi ça?
- Parce qu'un explorateur qui mentirait entraînerait des catastrophes dans les livres de géographie. Et aussi un explorateur qui boirait trop.
- Pourquoi ça? fit le petit prince.
- Parce que les ivrognes voient double. Alores le géographe noterait deux montagnes, là où il n'y a qu'une seule.
- Je connais quelqu'un, dit le petit prince, qui serait mauvais explorateur.
- Donc, quand la moralité de l'explorateur paraît bonne, on fait une enquête sur sa découverte.
- On va voir?
- Non.Cest trop compliqué. Mais on exige de l'explorateur qu'il fournisse des preuves. S'il s'agit par exemple de la découverte d'une grosse montagne, on exige qu'il en rapporte de grosses pierres.»
Le géographe soudain s'emut.
«Mais toi, tu viens de loin! Tu es explorateur! Tu va me décrire ta planète!»
Et le géographe, ayant ouvert son registre, tailla son crayon. On note d'abord au crayon les récits des explorateurs. On attends, pour noter à l'encre, que l'explorateur ait fourni des preuves.
«Alors! interrogea le géographe.
- Oh! chez moi, dit le petit prince, ce n'est pas très intéressant, c'est tout petit. J'ai trois volcans. Deux volcans en activité, et un volcan éteint. Mais on ne sait jamais.
- On ne sait jamais, dit le géographe.
- J'ai aussi une fleur.
- Nous ne notons pas les fleurs, dit le géographe.
- Pourquoi ça! C'est le plus joli!
- Parce que les fleurs sont éphémères.
- Qu'est-ce que signifie: "éphémère"?
- Les géographies , dit le géographes, sont les livres les plus sérieux de tous les livres. Elles ne se démodent jamais. Il est très rare qu'une montagne change de place. Il est très rare qu'un océan se vide de son eau. Nous écrivont des choses éternelles.
- Mais les volcans éteints peuvent se réveiller, interrompit le petit prince. Qu'est-ce que signifie: "éphémère"?
- Que les volcans soient éteints ou soient éveillés, ça revient au même pour nous autres, dit le géographe. Ce qui compte pour nous, c'est la montagne. Elle ne change pas.
- Mais qu'est-ce que signifie "éphémère"? répéta le petit prince qui, de sa vie, n'avait renoncé à une question, une fois qu'il l'avait posée.
- Ça signifie "qui est ménacé par la disparition prochaine".
- Bien sûr.»
«Ma fleur est éphémère, se dit le petit prince, et elle n'a que quatre épines pour se défendre contre le monde! Et je l'ai laissé toute seule chez moi!»
Ce fut là son premier mouvement de regret. Mais il reprit courage:
«Que me conseillez-vous d'aller visiter? demanda-t-il.
- La planète Terre, lui répondit le géographe. Elle a une bonne réputation...»
Et le petit prince s'en fut, songeant à sa fleur.
«Tiens! voilà un explorateur!» s'écria-t-il, quand il aperçut le petit prince.
Le petit prince s'assit sur la table et souffla un peu. Il avait déjà tant voyagé!
«D'où viens-tu?? lui dit le vieux monsieur.
- Quel est ce gros livre? dit le petit prince. Que faites-vous ici?
- Je suis géographe, dit le vieux monsieur.
- Qu'est-ce qu'un géographe?
- C'est un savant qui connaît où se trouvent les mers, les fleuves, les villes, les montagnes et les déserts.
- Ça c'est bien intéressant, dit le petit prince. Ça c'est enfin un véritable métier!» Et il jeta un coup d'oeil autour de lui sur la planète du géographe. Il n'avait jamais vu encore une planète aussi majestueuse.
«Elle est bien belle, votre planète. Est-ce qu'il y a des océans?
- Je ne puis pas le savoir, dit le géographe.
- Ah! (Le petit prince était déçu.) Et des montagnes?
- Je ne puis pas le savoir, dit le géographe.
- Et des villes et des fleuves et des déserts?
- Je ne puis pas le savoir non plus, dit le géographe.
- Mais vous êtes géographe!
- C'est exact, dit le géographe, mais je ne suis pas explorateur. Je manque absolument d'explorateurs. Ce n'est pas le géographe qui va faire le compte des villes, des fleuves, des montagnes, des mers, des océans et des déserts. Le géographe est trop important pour flâner. Il ne quitte pas son bureau. Mais il y reçoit les explorateurs. Il les interroge, et il prend en note leurs souvenirs. Et si les souvenirs de l'un d'entre eux lui paraissent intéressants, le géographe fait faire une enquête sur la moralité de l'explorateur.
- Pourquoi ça?
- Parce qu'un explorateur qui mentirait entraînerait des catastrophes dans les livres de géographie. Et aussi un explorateur qui boirait trop.
- Pourquoi ça? fit le petit prince.
- Parce que les ivrognes voient double. Alores le géographe noterait deux montagnes, là où il n'y a qu'une seule.
- Je connais quelqu'un, dit le petit prince, qui serait mauvais explorateur.
- Donc, quand la moralité de l'explorateur paraît bonne, on fait une enquête sur sa découverte.
- On va voir?
- Non.Cest trop compliqué. Mais on exige de l'explorateur qu'il fournisse des preuves. S'il s'agit par exemple de la découverte d'une grosse montagne, on exige qu'il en rapporte de grosses pierres.»
Le géographe soudain s'emut.
«Mais toi, tu viens de loin! Tu es explorateur! Tu va me décrire ta planète!»
Et le géographe, ayant ouvert son registre, tailla son crayon. On note d'abord au crayon les récits des explorateurs. On attends, pour noter à l'encre, que l'explorateur ait fourni des preuves.
«Alors! interrogea le géographe.
- Oh! chez moi, dit le petit prince, ce n'est pas très intéressant, c'est tout petit. J'ai trois volcans. Deux volcans en activité, et un volcan éteint. Mais on ne sait jamais.
- On ne sait jamais, dit le géographe.
- J'ai aussi une fleur.
- Nous ne notons pas les fleurs, dit le géographe.
- Pourquoi ça! C'est le plus joli!
- Parce que les fleurs sont éphémères.
- Qu'est-ce que signifie: "éphémère"?
- Les géographies , dit le géographes, sont les livres les plus sérieux de tous les livres. Elles ne se démodent jamais. Il est très rare qu'une montagne change de place. Il est très rare qu'un océan se vide de son eau. Nous écrivont des choses éternelles.
- Mais les volcans éteints peuvent se réveiller, interrompit le petit prince. Qu'est-ce que signifie: "éphémère"?
- Que les volcans soient éteints ou soient éveillés, ça revient au même pour nous autres, dit le géographe. Ce qui compte pour nous, c'est la montagne. Elle ne change pas.
- Mais qu'est-ce que signifie "éphémère"? répéta le petit prince qui, de sa vie, n'avait renoncé à une question, une fois qu'il l'avait posée.
- Ça signifie "qui est ménacé par la disparition prochaine".
- Bien sûr.»
«Ma fleur est éphémère, se dit le petit prince, et elle n'a que quatre épines pour se défendre contre le monde! Et je l'ai laissé toute seule chez moi!»
Ce fut là son premier mouvement de regret. Mais il reprit courage:
«Que me conseillez-vous d'aller visiter? demanda-t-il.
- La planète Terre, lui répondit le géographe. Elle a une bonne réputation...»
Et le petit prince s'en fut, songeant à sa fleur.
Antoine de Saint-Exupéry
quinta-feira, 21 de junho de 2007
Bí liom
Bí liom a stór mo chroísa ná scaoil mé go deo
Bí liom is tabhairt domh misneach
Gan eagla orm sa cheo
Bí liom nach fada 'n oíche gan tú ag mo thaobh
Suílfidh mé amach ar imeall ag cuartú ceol binn úr
Bí liom ar lorg síocháin is saoirse fadó
Dúirt tú liom éist fuaim an chláirseach
Sin é an ceol binn úr
Bí liom is tabhairt domh misneach
Gan eagla orm sa cheo
Bí liom nach fada 'n oíche gan tú ag mo thaobh
Suílfidh mé amach ar imeall ag cuartú ceol binn úr
Bí liom ar lorg síocháin is saoirse fadó
Dúirt tú liom éist fuaim an chláirseach
Sin é an ceol binn úr
terça-feira, 19 de junho de 2007
Pedaços de céu / Terra húmida
Por entre raios de sol, pedaços de céu afloram os meus olhos de terra húmida. E o calor penetra em profundidade no solo adubado de amor por ti. Como trepadeiras envolvendo-te, avançam desejos de te apertar nos meus braços e reposar os meus lábios nos teus.
Que os teus sóis brilhem sempre sobre mim. Que os ventos tépidos do que nos une afastem sempre as nuvens de tempestade que ameacem esconder de mim o céu protector dos teus olhos.
Que os teus sóis brilhem sempre sobre mim. Que os ventos tépidos do que nos une afastem sempre as nuvens de tempestade que ameacem esconder de mim o céu protector dos teus olhos.
segunda-feira, 18 de junho de 2007
Conquered
You've already won me over in spite of me
And don't be alarmed if I fall head over feet
Don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault
Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for
Alanis Morissette
And don't be alarmed if I fall head over feet
Don't be surprised if I love you for all that you are
I couldn't help it
It's all your fault
Your love is thick and it swallowed me whole
You're so much braver than I gave you credit for
Alanis Morissette
terça-feira, 12 de junho de 2007
Noites sem ti / Manhãs de esperança
Desde que me habitas, adormecer é atravessar o deserto. O meu corpo sente-se pequeno demais na vastidão dos lençóis. Não tem frio. Nem calor. Apenas sede de ti. Faim de toi. Cerro os olhos em busca da miragem. Recordo. Reinvento-te. Reconstruo-te. Projecto-me em futuros possíveis. Tu. Só tu. Despido do que nos separa, envolves-me e mergulhas-me num sono generoso. Langueo. Tendre sommeil. Into oblivion.
Morning brings you hovering inches from my skin. Mon coeur te suit, débordant. Mes yeux te cherchent, encore fermés.
E penso que um dia...tu ali. Pressionar-te contra mim. Inalar-te sem pudor. Oscilar ao ritmo do que te anima. Batimentos desencontrados, convergindo num só, maior que nós.
Mais un jour si loin. Qu'importe? Puisqu'on s'aime. Und das Meer ist ruhig.
Morning brings you hovering inches from my skin. Mon coeur te suit, débordant. Mes yeux te cherchent, encore fermés.
E penso que um dia...tu ali. Pressionar-te contra mim. Inalar-te sem pudor. Oscilar ao ritmo do que te anima. Batimentos desencontrados, convergindo num só, maior que nós.
Mais un jour si loin. Qu'importe? Puisqu'on s'aime. Und das Meer ist ruhig.
Death of the beast / Freedom of an orchid
I finally let you go
Your roots no longer feeding on my heart
The beast to be tamed has died
And love perished.
A new flame turned it to ashes
A new colour made it hollow.
Nothing lingers but the beautiful memories
The unreplaceable moments drowned in the past.
Stronger wings have dried, and now i'm flying again.
So close the little door, seek a brighter sun,
A fertile soil awaits you, don't fear it.
I know you can reach it.
Remember how you made me who i am
How we made us who we are.
Your roots no longer feeding on my heart
The beast to be tamed has died
And love perished.
A new flame turned it to ashes
A new colour made it hollow.
Nothing lingers but the beautiful memories
The unreplaceable moments drowned in the past.
Stronger wings have dried, and now i'm flying again.
So close the little door, seek a brighter sun,
A fertile soil awaits you, don't fear it.
I know you can reach it.
Remember how you made me who i am
How we made us who we are.
segunda-feira, 11 de junho de 2007
Identidade
Chorar o Atlântico
Cuspir do fundo da garganta a rocha negra
Reter a bruma no cabelo coberto de musgo
Erica azorica rasgando cada poro
Ter o coração por epicentro, câmara magmática
Nas profundezas o canto do cachalote
Trazer as ilhas no olhar
Cuspir do fundo da garganta a rocha negra
Reter a bruma no cabelo coberto de musgo
Erica azorica rasgando cada poro
Ter o coração por epicentro, câmara magmática
Nas profundezas o canto do cachalote
Trazer as ilhas no olhar
sexta-feira, 8 de junho de 2007
Le garçon aux yeux de ciel
J'aime la tendresse sur sa voix
Et la pudeur de son sourire
Quand je lui avoue mon bonheur fou
Et le rouge envahit ses joues.
Je ris et je pleure malgré moi
Quand je pense à nos peaux qui s'attirent.
Et quand le jour de nos baisers viendra
Un tout nouveau monde nous serrera.
Je vous dis que c'est doux comme du miel
D'aimer le garçon aux yeux de ciel!
Et la pudeur de son sourire
Quand je lui avoue mon bonheur fou
Et le rouge envahit ses joues.
Je ris et je pleure malgré moi
Quand je pense à nos peaux qui s'attirent.
Et quand le jour de nos baisers viendra
Un tout nouveau monde nous serrera.
Je vous dis que c'est doux comme du miel
D'aimer le garçon aux yeux de ciel!
Mountains
once i was a big old bear
reigning blows on sparkly snares
in the woods after the snow
the white noise witch her hammers cold
rest beneath the pine and rose
in our suits and sunday clothes
cheer up my brother
it’s going to be alright
i know your hearts are heavy as mountains
but we're going to go back home one day
hang there little winter star
tell me who you really are
up above the world so high
like a diamond in the sky
born with honey in my hair
once i was a big old bear
cheer up my brother
it’s going to be alright
i know your hearts are heavy as mountains
but we're going to go back home one day
wore my dress up to my knees
there’s ghosts of babies in the streams
Sparklehorse
reigning blows on sparkly snares
in the woods after the snow
the white noise witch her hammers cold
rest beneath the pine and rose
in our suits and sunday clothes
cheer up my brother
it’s going to be alright
i know your hearts are heavy as mountains
but we're going to go back home one day
hang there little winter star
tell me who you really are
up above the world so high
like a diamond in the sky
born with honey in my hair
once i was a big old bear
cheer up my brother
it’s going to be alright
i know your hearts are heavy as mountains
but we're going to go back home one day
wore my dress up to my knees
there’s ghosts of babies in the streams
Sparklehorse
quarta-feira, 6 de junho de 2007
Dernier mot
Parce qu'aujourd'hui mon sourire a perdu ses artifices. Parce qu'aujourd'hui mon coeur bat plus fort, désabusé. Parce qu'aujourd'hui les mots ne sont pas les mêmes. Et si tu ne le vois pas, c'est à force de combler ce vide d'un moi que tu inventes à ton gré. Tu ne me connais pas. J'ai aimé. Pas toi. J'ai été marqué une seule fois. Mais pas par toi. Toi, que du vent. Toi, que du brouillard. Toi, ma plus grande erreur. Pour toi, de l'indifférence. Et c'est bien ta faute. Et crois-moi - mais finalement que je m'en fou de ce que tu crois - ce qui m'habite à présent c'est tout nouveau, c'est de l'Immensité. Aux dieux de me juger.
L'amour naissant
Eu. Ígneo e telúrico, percorrido por lavas fundentes, por entre colossos negros de arestas irregulares e cortantes; erupções imprevisíveis. Basalto. Na transparência cristalina de lagunas gémeas, procuro as águas onde arrefecer as correntes incandescentes. Litoral redefinido, suavemente acariciado pelas vagas de um olhar.
E um espaço que separa, mas sem vazio. Espaço de fluído denso, de doce magnetismo. Preenchido por desejos e beijos imaterializados. Olhares, iões de paixão que fulminam, que aceleram o coração. Promessas de "Um dia...", de "quando", de "nunca" e de "sempre". Não são promessas. São o que sinto.
Por agora, encontros secretos, literatura espanhola, escadas ao sol, patos, momentos contados, palavras lidas, gestos reprimidos, lábios dormentes, mãos que se apertam num prenúncio de liberdades vindouras. Impaciência. Mas que importa, pois se te... e tanto por descobrir.
E um espaço que separa, mas sem vazio. Espaço de fluído denso, de doce magnetismo. Preenchido por desejos e beijos imaterializados. Olhares, iões de paixão que fulminam, que aceleram o coração. Promessas de "Um dia...", de "quando", de "nunca" e de "sempre". Não são promessas. São o que sinto.
Por agora, encontros secretos, literatura espanhola, escadas ao sol, patos, momentos contados, palavras lidas, gestos reprimidos, lábios dormentes, mãos que se apertam num prenúncio de liberdades vindouras. Impaciência. Mas que importa, pois se te... e tanto por descobrir.
segunda-feira, 4 de junho de 2007
Pertença
Sentia-se ali como a prancha que vem do alto mar e encontra enfim uma posição capaz de fixar as gaivotas e a sua própria massa de seivas, as suas fibras, os furos a que se agarram conchinhas e algas verdes.
Vitorino Nemésio, in Mau Tempo No Canal
domingo, 3 de junho de 2007
C'est une belle journée
Oh philosophie
Dis-moi des élégies
Le bonheur
Lui me fait peur
D'avoir tant d'envies
Moi j'ai un souffle au cœur
Mylène Farmer
Dis-moi des élégies
Le bonheur
Lui me fait peur
D'avoir tant d'envies
Moi j'ai un souffle au cœur
Mylène Farmer
Acordei a sorrir. Olhei-me por dentro. Descobri um mar novo vertido dos teus olhos, inundando-me. Uma vela abandonada numa praia de areia escura. Cravei-a no coração. E o vento nunca soprou tão forte, tão cálido. No horizonte uma nova terra. Mes paradis pleins de toi.
sábado, 2 de junho de 2007
Je plane
Au-dessus des étangs, au-dessus des vallées,
Des montagnes, des bois, des nuages, des mers,
Par delà le soleil, par delà les éthers,
Par delà les confins des sphères étoilées
Charles Baudelaire
Des montagnes, des bois, des nuages, des mers,
Par delà le soleil, par delà les éthers,
Par delà les confins des sphères étoilées
Charles Baudelaire
J'ai perdu mes mots, je voulais le dire, l'exprimer, le crier même. Mais là c'est trop fort, trop grand...je ne sais pas comment ni pourquoi...c'est trop. Et je plane...
quarta-feira, 30 de maio de 2007
Gravity of love
"O Fortuna uelut Luna" Turn around and smell what you don't see Close your eyes ... it is so clear Here's the mirror, behind there is a screen On both ways you can get in. Don't think twice before you listen to your heart, Follow the trace for a new start. What you need and everything you'll feel Is just a question of the deal. In the eye of storm you'll see a lonely dove The experience of survival is the key To the gravity of love. "O Fortuna velut Luna" The path of excess leads to the tower of Wisdom Try to think about it... That's the chance to live your life and discover What it is, what's the gravity of love "O Fortuna uelut Luna" Look around just people, can you hear their voice Find the one who'll guide you to the limits of your choice. But if you're in the eye of storm Just think of the lonely dove The experience of survival is the key To the gravity of love. "O Fortuna uelut Luna"
segunda-feira, 28 de maio de 2007
Rien qu'un petit poème insensé
Aimer, lui.
Me donner, malgré
Ce beau passé,
N'est plus que des mots qu'on se dit.
À présent ce n'est plus la peine,
Puisque on n'est plus les mêmes.
Et pourtant j'avais cru que...
Me donner, malgré
Ce beau passé,
N'est plus que des mots qu'on se dit.
À présent ce n'est plus la peine,
Puisque on n'est plus les mêmes.
Et pourtant j'avais cru que...
sexta-feira, 25 de maio de 2007
Mea culpa
Plumbeo sub caelo eramus. Verba ibi dixisti, quae audire nolebam. Sed in oculis tuis uera erant. Et cor meum in abyssum descendit.
segunda-feira, 14 de maio de 2007
Wash your nightmares away...if i could
Sleep, don't weep, my sweet love
Your face is all wet and your day was rough
So do what you must do to find yourself
Wear another shoe, paint my shelves
Those times that I was broke, and you stood strong
I think I found a place where I...
Sleep, don't weep, my sweet love
Your face it's all wet 'cause our days were rough
So do what you must do to fill that hole
Wear another shoe to comfort the soul
Those times that I was broke, and you stood strong
I think I found a place where I feel I will...
Sleep, don't weep, my sweet love
My face it's all wet 'cause my day was rough
So do what you must do to find yourself
Wear another shoe, paint my shelves
Those times that I was broke, and you stood strong
I hope I find a place where I feel I belong
Sleep, don't weep, my sweet love
My face is all wet 'cause my day was rough
Damien Rice
Your face is all wet and your day was rough
So do what you must do to find yourself
Wear another shoe, paint my shelves
Those times that I was broke, and you stood strong
I think I found a place where I...
Sleep, don't weep, my sweet love
Your face it's all wet 'cause our days were rough
So do what you must do to fill that hole
Wear another shoe to comfort the soul
Those times that I was broke, and you stood strong
I think I found a place where I feel I will...
Sleep, don't weep, my sweet love
My face it's all wet 'cause my day was rough
So do what you must do to find yourself
Wear another shoe, paint my shelves
Those times that I was broke, and you stood strong
I hope I find a place where I feel I belong
Sleep, don't weep, my sweet love
My face is all wet 'cause my day was rough
Damien Rice
Hard to please
Small things nourish my ability to love. Ignition of the heart. And when the whole picture is appealing there's always that little something inhibiting the spark. And so the reek lingers in my nostrils, the unpleasant taste of a kiss that never took place.
segunda-feira, 7 de maio de 2007
Suauis cupido
Enquanto debitava um discurso árido que a minha atenção recusava absorver, eu olhava-lhe para o nariz. Pensava como era belo. Pequeno e recto, erguia-se suavemente na planura da face, quase feminino. Por vezes os seus olhos prendiam os meus. Olhos que outrora foram a minha perdição. Ou salvação? De um castanho sólido, invasivo. Talvez por isso um dia pensei que eram verdes. Só vira aquela impenetrabilidade em olhos de um verde cristalino. Mas são castanhos. Depois lembrei-me das mãos. Baixei o olhar enquanto continuava fingindo interesse nas palavras inúteis que insistia em proferir. Ao ver as mãos, percorreu-me uma onda de doce desejo. Robustas, de dedos delicados, revestidas pela mesma pele leitosa que o percorre por inteiro. Perdi-me então na atracção exercida pela alvura literária da tua pele; e quis que te calasses; e anseei por possuí-la com a paixão que agora é carne.
sexta-feira, 4 de maio de 2007
En passant
Toutes les ébènes ont rendez-vous
Lambeaux de nuit quand nos ombres s'éteignent
Des routes m'emmènent, je ne sais où
J'avais les yeux perçants avant, je voyais tout
Doucement reviennent à pas de loups
Reines endormies, nos déroutes anciennes
Coulent les fontaines jusqu'où s'échouent
Les promesses éteintes et tous nos vœux dissous
C'était des ailes et des rêves en partage
C'était des hivers et jamais le froid
C'était des grands ciels épuisés d'orages
C'était des paix que l'on ne signait pas
Des routes m'emmènent, je ne sais où
J'ai vu des oiseaux, des printemps, des cailloux
En passant
Toutes nos défaites ont faim de nous
Serments résignés sous les maquillages
Lendemains de fête, plus assez saouls
Pour avancer, lâcher les regrets trop lourds
Déjà ces lents, ces tranquilles naufrages
Déjà ces cages qu'on attendait pas
Déjà ces discrets manques de courage
Tout ce qu'on ne sera jamais, déjà
J'ai vu des bateaux, des fleurs, des rois
Des matins si beaux, j'en ai cueilli parfois
En passant
Jean-Jacques Goldman
Lambeaux de nuit quand nos ombres s'éteignent
Des routes m'emmènent, je ne sais où
J'avais les yeux perçants avant, je voyais tout
Doucement reviennent à pas de loups
Reines endormies, nos déroutes anciennes
Coulent les fontaines jusqu'où s'échouent
Les promesses éteintes et tous nos vœux dissous
C'était des ailes et des rêves en partage
C'était des hivers et jamais le froid
C'était des grands ciels épuisés d'orages
C'était des paix que l'on ne signait pas
Des routes m'emmènent, je ne sais où
J'ai vu des oiseaux, des printemps, des cailloux
En passant
Toutes nos défaites ont faim de nous
Serments résignés sous les maquillages
Lendemains de fête, plus assez saouls
Pour avancer, lâcher les regrets trop lourds
Déjà ces lents, ces tranquilles naufrages
Déjà ces cages qu'on attendait pas
Déjà ces discrets manques de courage
Tout ce qu'on ne sera jamais, déjà
J'ai vu des bateaux, des fleurs, des rois
Des matins si beaux, j'en ai cueilli parfois
En passant
Jean-Jacques Goldman
terça-feira, 1 de maio de 2007
Can it be? / Dúvida
Terás tu razão? E se daqui a dez anos? É que sabes, faz sentido que assim seja. Porque como não voltar, como estar em paz com a minha solidão se isto não é o que acreditei ser. Mas dois anos de felicidade não se passam sem que aquilo exista, forte, unindo-nos para lá da razão. Ardeu. Tem de ter ardido. Queimei-me. Lembro-me bem. Mas a água avançou e eu não me apercebi. A água que ferve enquanto escrevo estas palavras. A chama que luta por não se apagar. Talvez se esteja a apagar. Talvez seja isso. E tudo o que ainda sinto são ondas de calor que me percorrem violentamente quando piso terreno desconhecido. O calor da habituação. De me ter entregue completamente. De só o ter conhecido com ele. E um dia estes resíduos sedimentar-se-ão, formando uma generosa camada em torno do meu coração. Como na madeira de uma árvore um anel de uma estação fértil. Terre promise. Les oiseaux s'en souviennent.
domingo, 29 de abril de 2007
Percurso
Olho para trás. De onde venho espraia-se um rasto de destruição. Cauda ensanguentada de cometa. Poças de lágrimas espalhadas pelo solo pejado de fragmentos de dor. Não a minha. Essa carrego cá dentro. Não é ela que me preocupa. Estendo-lhes a mão. Mas tem espinhos. Não me consigo livrar deles. Dos espinhos. Não os vejo. Dizem-me que estão lá.
Em frente o caminho é incerto. A luz filtrada pela bruma impede-me de ver com clareza. Olhos sensíveis. Avanço não sem medo, lentamente. Curiosidade. Desejo de fascínio. Ofuscar-me.
E atrás os gritos lancinantes, os dedos gélidos do passado esforçam-se por invadir o presente. No fim do caminho o abraço enigmático da Morte. Effroi! Mas Tempo dá-me a mão firme, implacável. L'Ennemi! Conformo-me com a minha condição. Olhar o céu, o mar, e sorrir.
Em frente o caminho é incerto. A luz filtrada pela bruma impede-me de ver com clareza. Olhos sensíveis. Avanço não sem medo, lentamente. Curiosidade. Desejo de fascínio. Ofuscar-me.
E atrás os gritos lancinantes, os dedos gélidos do passado esforçam-se por invadir o presente. No fim do caminho o abraço enigmático da Morte. Effroi! Mas Tempo dá-me a mão firme, implacável. L'Ennemi! Conformo-me com a minha condição. Olhar o céu, o mar, e sorrir.
The flame drowned in boiling water
The flame drowned in boiling water,
Burning nevertheless.
The water boils.
The flame burns.
But in me the water wins,
It flows, foreseeing change.
And i regret your forlorn hearts.
Burning nevertheless.
The water boils.
The flame burns.
But in me the water wins,
It flows, foreseeing change.
And i regret your forlorn hearts.
sexta-feira, 27 de abril de 2007
Nameless
Drifting in dark currents, there's some warmth now. I find some comfort in loneliness; it's easier this way. Unwilling to decide. So afraid of compromise. Yet something lurks in the deep. I can see it glimmering far below me. Will it hurt? Will it love? I wonder if i'll know how to face it, if i'll even recognize it. I'm not ready for it anyway. For now i'll just stare at the sky, dreaming of how it would feel if i could fly.
quinta-feira, 26 de abril de 2007
Deus
Vês aqui a grande máquina do Mundo,
Etérea e elemental, que fabricada
Assi foi do Saber, alto e profundo,
Que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em derredor este rotundo
Globo e sua superfície tão limada,
É Deus; mas o que é Deus, ninguém o entende,
Que a tanto engenho humano não se estende.
Luís de Camões
Etérea e elemental, que fabricada
Assi foi do Saber, alto e profundo,
Que é sem princípio e meta limitada.
Quem cerca em derredor este rotundo
Globo e sua superfície tão limada,
É Deus; mas o que é Deus, ninguém o entende,
Que a tanto engenho humano não se estende.
Luís de Camões
segunda-feira, 23 de abril de 2007
Correntes
Correntes traiçoeiras agitam as profundezas. Inesperadas como o amor. Mas deixam-no à deriva. Que ao menos apenas arrastassem o meu corpo, a minha alma. Entorpecidos.
sábado, 21 de abril de 2007
J'attendais / Infância
Todo aquele tempo a renegar o Homem. Desgraçada condição. Exorcizar a minha humanidade. Apenas animal. Selvagem. Sim, era o que desejava. E olhava o mar - "Porque me afogas?". E contemplava o céu - "Porque me exiges asas?". Nas mãos um livro contando a história que queria viver - "Qualquer lugar, mas não aqui, não agora!".
E um dia surgiu o amor. Imperfeito de humanidade. Foi então que me rendi a ele, a ela. Mas por vezes ainda oiço o vento murmurar; e o mar segredando-me "Vem. Deixa-te afogar."
J'attendais...
E um dia surgiu o amor. Imperfeito de humanidade. Foi então que me rendi a ele, a ela. Mas por vezes ainda oiço o vento murmurar; e o mar segredando-me "Vem. Deixa-te afogar."
J'attendais...
sexta-feira, 20 de abril de 2007
Risus stellarum
«- Quand tu regarderas le ciel, la nuit, puisque j'habiterai dans l'une d'elles, puisque je rirai dans l'une d'elles, alors ce sera pour toi comme si riaient toutes les étoiles. Tu auras, toi, des étoiles qui savent rire!»
Et il rit encore.
«Et quand tu seras consolé (on se console toujours) tu seras content de m'avoir connu. Tu seras toujours mon ami. Tu auras envie de rire avec moi. Et tu ouvriras parfois ta fenêtre, comme ça, pour le plaisir... Et tes amis seront bien étonnés de te voir rire en regardant le ciel. Alors tu leur diras: "Oui, les étoiles, ça me fait toujours rire!" Et ils te croiront fou. Je t'aurai joué un bien vilain tour...»
Et il rit encore.
Antoine de Saint-Exupéry
Et il rit encore.
«Et quand tu seras consolé (on se console toujours) tu seras content de m'avoir connu. Tu seras toujours mon ami. Tu auras envie de rire avec moi. Et tu ouvriras parfois ta fenêtre, comme ça, pour le plaisir... Et tes amis seront bien étonnés de te voir rire en regardant le ciel. Alors tu leur diras: "Oui, les étoiles, ça me fait toujours rire!" Et ils te croiront fou. Je t'aurai joué un bien vilain tour...»
Et il rit encore.
Antoine de Saint-Exupéry
domingo, 8 de abril de 2007
Reflexos do passado (encore)
Te souviens-tu? Cette mer dont tu regardais sans cesse les moindres changements de surface; cet horizon que tu voulais tant franchir, ton avenir rêvé. Tu songeais à ces eaux où glissaient féeriques les objects de tes passions, désir de plonger.
Et puis un jour je t'ai perdu. Je ne te sais vivant que par l'émotion que j'éprouve en contemplant ces paysages que tu hantes encore.
Tu me manques. Rien qu'un petit espace, une toute toute petite trace...
Et puis un jour je t'ai perdu. Je ne te sais vivant que par l'émotion que j'éprouve en contemplant ces paysages que tu hantes encore.
Tu me manques. Rien qu'un petit espace, une toute toute petite trace...
sexta-feira, 6 de abril de 2007
Ilha
Pudesse eu ser ilha, para que apenas o mar me prendesse. Os meus olhos lagoas, espelhando o céu até ao leito. A minha pele o solo irrigado de sangue, engendrando vida. A minha boca vulcão, expelindo lavas ardentes - palavras incomensuráveis de amor.
Sonho. Os meus cumes fustigados pela tempestade.
Sonho. Os meus cumes fustigados pela tempestade.
quarta-feira, 4 de abril de 2007
"Unravel"
While you are away
My heart comes undone
Slowly unravels
In a ball of yarn
The devil collects it
With a grin
Our love
In a ball of yarn
He'll never return it
So when you come back
We'll have to make new love
Björk
My heart comes undone
Slowly unravels
In a ball of yarn
The devil collects it
With a grin
Our love
In a ball of yarn
He'll never return it
So when you come back
We'll have to make new love
Björk
sábado, 31 de março de 2007
As palavras
Inopinadamente, as palavras soltaram-se do coração. Ascenderam aladas à garganta - como ascende o magma na chaminé de um vulcão, ameaçando a erupção improvável. Dei-me conta delas a tempo. Encheram-me a boca. Invadiram-me o espírito. Vibração. Tão cedo. Mas cerrei os lábios com firmeza. E tu viste-me o esforço. Perguntaste o que tinha eu. Nada. Não tenho nada. Mas tinha. E tenho. Mas não ali. Não queria que fosse naquele lugar. É que nem te podia tocar. Nem me podia dissolver nos teus braços, perder-me nos teus lábios. Nasceram por fim. Esperava-as ansiosamente. Mas tinham de brotar por si, independentes da minha vontade consciente. E assim foi. Plenitude. E agora estão lá. À tua espera. À nossa espera.
quarta-feira, 28 de março de 2007
Afogar-me
É doce, mas não um lago. Eu não sou de lagos. Sou do Mar. É pois salgado. Mas salgado de um mar colado à rocha negra. Imagem familiar, cara. Mas podia ser um lago. Nunca é tarde para amar um lago. E há também o verde. E o azul. Exaltados pela brisa suave de um fim de tarde primaveril. E as águas paradas. Lago ou mar, que importa? Animadas por correntes profundas, tépidas. Afogar-me sem luta.
terça-feira, 27 de março de 2007
L'intermittence
bien peu son absolus, au moins d'une façon continue, dans cette âme humaine dont une des lois, fortifiée par les afflux inopinés de souvenirs différents, est l'intermittence
Marcel Proust, À l'ombre des jeunes filles en fleurs
domingo, 25 de março de 2007
Viae ad te
São verdes, de uma beleza quase vulcânica, os caminhos que me levam ao vale onde me esperas. Encho o peito de paisagens que prenunciam o paraíso dos teus braços.
quinta-feira, 22 de março de 2007
Last message to a dark orchid
Hard to believe as it may seem when sorrow bathes your soul, you'll find a new soil to feed the colours within you. Thrust your head back, open your mouth. Swallow a newborn light, just let it in, despite the cloudiest sky. And then your soft coal-black petals shall recall how to shine again.
quarta-feira, 21 de março de 2007
Du corps à l'âme
A mão percorre o corpo. Vigorosa, intensamente. Quase como se pretendesse penetrar a pele. Pressiona, reconhece. Hesita ao aflorar uma imperfeição. Estuda-a. E depois ama-a. Apenas mais uma cor para o quadro final, perfeito de imperfeições. A mão transpira paixão. Serena. Na pele todos os poros se dilatam. Ânsia de receber. Transfusão mútua. No prazer da descoberta dois lábios procuram-se, completam a comunhão.
Onde em nós aquilo que aceita apenas um outro "eu" entre tantos possíveis, rejeitando com náusea todos os restantes? O que o justifica?
E assim sinto-o crescer em mim. Evolução. Não falta muito para extravasar. E, nesse momento, transfigurar-se-á em palavras que te direi. Mas não ainda. Um dia.
Onde em nós aquilo que aceita apenas um outro "eu" entre tantos possíveis, rejeitando com náusea todos os restantes? O que o justifica?
E assim sinto-o crescer em mim. Evolução. Não falta muito para extravasar. E, nesse momento, transfigurar-se-á em palavras que te direi. Mas não ainda. Um dia.
domingo, 18 de março de 2007
La paix retrouvée
Respirei fundo. Entraste-me pelas narinas. Um novo país condensou-se-me nos pulmões. Conquistou o coração. Sem guerra. E a paz de um tempo diluído, como se pudéssemos ficar assim para sempre.
segunda-feira, 12 de março de 2007
Réponse
Et je dépose le mien dans tes mains. Je sais que tu sauras prendre bien soin de lui. Je crois en toi.
E essa luz de que falas. Sabes tu que também me ilumina? Como um sol nascido entre os meus olhos e os teus.
E essa luz de que falas. Sabes tu que também me ilumina? Como um sol nascido entre os meus olhos e os teus.
domingo, 11 de março de 2007
Et l'on n'y peut rien
Olhas-me e eu reconheço-te. Tocas-me e a minha pele não te rejeita. Tão cheio o espaço entre nós. E então sei que sou em ti.
sábado, 10 de março de 2007
segunda-feira, 12 de fevereiro de 2007
Despojar-me de ti
Estas mãos. Não são as tuas!
Este cheiro. Não é o teu!
E estes lábios. Não são os teus!
E este olhar. Não te reconheço!
E este jeito. Estrangeiro!
Voltar. Não me deixo!
Ficar. Onde?
E despojar-me de ti. Não sei...
Este cheiro. Não é o teu!
E estes lábios. Não são os teus!
E este olhar. Não te reconheço!
E este jeito. Estrangeiro!
Voltar. Não me deixo!
Ficar. Onde?
E despojar-me de ti. Não sei...
quarta-feira, 31 de janeiro de 2007
Sinais de desespero
Esqueci o teu rosto. Perdi dentro de mim os detalhes que tão minuciosamente recolhi, aqueles que me permitiam reconstruir-te quando não te tenho por perto. Mas não o olhar. Esse não te pertence. É filamento frágil e efémero que se gera no espaço entre os teus olhos e os meus. E então tenho-te por momentos. Capturado nessa tua insinuação cruelmente ambígua, esforço-me por projectar até ti a massa viscosa da minha paixão. Esquivo, retalias com indiferença que não compreendo. E aqui me encontro prostrado, carregando este vazio repleto de dor.
segunda-feira, 22 de janeiro de 2007
L'ange malveillant
Comme un ange malveillant, il descendit de ce ciel infernal pour anéantir le bonheur. De ses griffes il voulut arracher mon Coeur, et moi, aveugle, je l’ai déposé sanglant à ses pieds.
Il est parti, et mon âme désabusé...
sábado, 20 de janeiro de 2007
"Sacrifie-moi aux Dieux des amours amnésiques"
A dor de não ter o que ardentemente desejo. A perfídia de um Deus em que não quero acreditar. A prisão de um quarto que não o trará até mim. Sacrifiquem-me antes a esses deuses do esquecimento. Não. Não o quero esquecer...
quarta-feira, 17 de janeiro de 2007
L'absence
Comme tous ceux qui possèdent une chose, pour savoir ce qui arriverait s'il cessait un moment de la posséder il avait ôté cette chose de son esprit, en y laissant tout le reste dans le même état que quand elle était là. Or l'absence d'une chose, ce n'est pas que cela, ce n'est pas un simple manque partiel, c'est un bouleversement de tout le reste, c'est un état nouveau qu'on ne peut pas prévoir dans l'ancien.
Marcel Proust
Marcel Proust
sábado, 6 de janeiro de 2007
Rio de nuvens
Naquela manhã ainda tão jovem, não estava preparado para o que aquela paisagem, que todos os dias percorro com o olhar, me tinha a revelar. Não me apercebi ao iniciar a travessia da ponte, absorvido que estava nas palavras de Proust. Foi quando, por um breve momento entre o sonho e a realidade, ergui a cabeça para olhar à minha volta; foi nesse instante que vi o rio que agora era de nuvens brancas, um vasto tapete aparentemente imóvel, que só nas suas margens se expandia e contraía lentamente. E a terra recuara; a cidade suavemente acariciada, submergida pelas línguas vaporosas que se insinuavam, ora avançado, ora retraindo-se inseguras. Por cima, a lua, teimosa, brilhava ainda no céu azul da manhã recém-nascida.
Ao deixar esta sublime visão para trás, pensei: Estranho amor o que une o Tejo a Lisboa!
Ao deixar esta sublime visão para trás, pensei: Estranho amor o que une o Tejo a Lisboa!
sábado, 30 de dezembro de 2006
Vem
Vem. Que hoje os meus olhos se recusam a partir. Vem. Sei que és anjo sem asas, mas vem dessa tua distância; e com o teu abraço faz malograr as investidas da Solidão. Prende-me com os teus beijos, para que o Tempo não me leve. Sê dono dos meus sentidos, que hoje não tenho forças para lutar.
Sei que não virás...mas deixa, pois a manhã redentora virá em teu lugar.
Sei que não virás...mas deixa, pois a manhã redentora virá em teu lugar.
quinta-feira, 28 de dezembro de 2006
Partidas
Uns partem de novo, entre despedidas inocentes de optimismo, como se a próxima vez fosse uma certeza. Outros permanecem lá longe, parados no tempo que é o meu; movem-se nas memórias que a custo sobrevivem em mim, no medo de não os rever. E as saudades iluminam sentimentos que dormem, indomáveis, na escuridão.
sexta-feira, 8 de dezembro de 2006
Indefinição
A imagem é difusa. As formas movem-se indefinidas; fundem-se, fragmentam-se, contraem-se e dilatam-se. E há o Tempo que as dilui. E a memória que luta contra a corrente. Queria poder fixá-las entre as minhas mãos, sob os meus olhos, e depois manipulá-las como me conviesse. Tudo o que consigo são impressões, fantasmas que me povoam o espírito. É assim que a custo vou caminhando através da bruma.
quarta-feira, 29 de novembro de 2006
Le sommeil
Un piège du Temps, voilà comment se présente à mes yeux le sommeil. Signe ultime de la fragilité humaine, le prix incontournable qu'on doit payer pour survivre, et pourtant ce n'est pas de la vraie vie quand on s'endort. Et puis cette peur! Et si la prochaine fois on ne se réveillait plus?
sexta-feira, 3 de novembro de 2006
A fonte
Neste dia em que o tempo me arrasta com um pouco mais de força, sempre na incontornável direcção do abismo, preciso da fonte. Nela, em vez da morte, renovar a vida, mesmo que por mera ilusão, inútil fingimento. Ou, quem sabe, aprender a aceitar a escuridão, a amar a luz enquanto a não apagam. E a fonte? A fonte é a ilha, a fonte é o mar e o sangue, e também o ventre. À distância, fecho os olhos e bebo das suas águas. E o tempo prossegue.
domingo, 22 de outubro de 2006
Conversion
"But Proportion has a sister, less smiling, more formidable, a Goddess even now engaged - in the heat and sands of India, the mud and swamp of Africa, the purlieus of London, wherever in short the climate or the devil tempts men to fall from the true belief which is her own - is even now engaged in dashing down shrines, smashing idols and setting up in their place her own stern countenance. Conversion is her name and she feasts on the wills of the weakly, loving to impress, to impose, adoring her own features stamped on the face of the populace. At Hyde Park Corner on a tub she stands preaching; shrouds herself in white and walks penitentially disguised as brotherly love through factories and parliaments; offers help, but desires power; smites out of her way roughly the dissentient, or dissatisfied; bestows her blessing on those who, looking upward, catch submissively from her eyes the light of their own."
Virginia Woolf
sábado, 14 de outubro de 2006
Recantos III



Envolvidos no calor intenso do Verão, atravessamos paisagens que, apesar de feridas pelo fogo, impõem a custo a sua dignidade. Gigantes serenos no horizonte, a Estrela e o Caramulo guardam estas terras que o Mondego atravessa, incansável na sua peregrinação até ao mar. Pelo caminho, cumprimentam-nos nostalgicamente as memórias de um longínquo passado da Humanidade.
sábado, 7 de outubro de 2006
Skógarmaðr
Qu'on me chasse de ce monde de métal
Je veux être banni,
Ignoré par ceux qui m'accablent
Oh oui, je suis le coupable
Le meurtrier qui songe à les tuer
Le loup humain, mais pas l'humain
Je suis l'homme des forêts
Le skógarmaðr
Je veux être banni,
Ignoré par ceux qui m'accablent
Oh oui, je suis le coupable
Le meurtrier qui songe à les tuer
Le loup humain, mais pas l'humain
Je suis l'homme des forêts
Le skógarmaðr
terça-feira, 3 de outubro de 2006
Manhã
"(...) there is something awful in the being surrounded by familiar faces asleep - in the knowledge that those who are dearest to us and to whom we are dearest, are profoundly unconscious of us, in an impassive state, anticipative of that mysterious condition to which we are all tending - the stopped life, the broken threads of yesterday, the deserted seat, the closed book, the unfinished and abandoned occupation, all are images of death. The tranquility of the hour is the tranquility of death."
Charles Dickens
quinta-feira, 21 de setembro de 2006
quinta-feira, 14 de setembro de 2006
Brumas
Misteriosamente, as brumas descem sobre a ilha. Onde ainda agora o sol fustigava com vigor as areias negras e os verdes campos, uma humidade densa penetra a terra e os corpos. O véu, de tons melancólicos, deixa entrever na sua extremidade uma faixa irónica da paisagem que se estende para além dele. Se foi o sol que se deslocou, intimidado, para essas outras paragens, ou se foi apenas a bruma que não conseguiu alcançar mais longe, não o sabem os mortais. Há magia nestas ilhas, outrora perdidas do homem. Magia que prende quem nelas ousou nascer. Os corpos escapam-se, mas os espíritos carregam para sempre a semente que implode lentamente, se privada do encantamento telúrico que a faz germinar.
segunda-feira, 14 de agosto de 2006
Sem título II
Entre as paredes de quartos familiares
Ela espreita-me, insaciável
Predadora de memórias de tempos felizes
Rasga-me o peito, impetuosa
Ábil constritora de corações
Não me perdoa o amor à vida
Nesta pérfida simbiose
Incendeia-se o espírito
Assim semeio no passado
Os desejos de amanhã
Rendo-me nesta guerra
Que ninguém ganha
Ela odeia-me porque não lhe pertenço
Ela pertence-me porque vem de dentro.
Ela espreita-me, insaciável
Predadora de memórias de tempos felizes
Rasga-me o peito, impetuosa
Ábil constritora de corações
Não me perdoa o amor à vida
Nesta pérfida simbiose
Incendeia-se o espírito
Assim semeio no passado
Os desejos de amanhã
Rendo-me nesta guerra
Que ninguém ganha
Ela odeia-me porque não lhe pertenço
Ela pertence-me porque vem de dentro.
sábado, 15 de julho de 2006
sexta-feira, 14 de julho de 2006
Loin de toi
Loin de toi, mais toujours près de nous.
Si jamais la solitude te guette, regarde les étoiles. J'ai priè aux dieux inconnus de les faire briller pour toi. J'ai demandé au Soleil d'être là pour te réchauffer le coeur, aux jours où il est le plus froid.
Ne crains pas. Mon amour est plus fort que tu ne le crois. Ailleurs, je serai quand même tout près de toi.
Si jamais la solitude te guette, regarde les étoiles. J'ai priè aux dieux inconnus de les faire briller pour toi. J'ai demandé au Soleil d'être là pour te réchauffer le coeur, aux jours où il est le plus froid.
Ne crains pas. Mon amour est plus fort que tu ne le crois. Ailleurs, je serai quand même tout près de toi.
quinta-feira, 13 de julho de 2006
L'enfant aux ailes brûlées
L'enfant est resté là-bas. Perdu, il croise les chemins qui mènent aux sommets des volcans.
L'enfant aux ailes brûlées, essaie d'entendre le vent. Les voix des temps oubliés, des murmures qu'il ne comprend plus.
Il pleure l'Atlantique. Du feu dans son sang, du noir dans son coeur.
Le corps par terre, il désire le ciel. Noyé dans sa mer, il rêve l'infini.
Je sais bien que tu me cherches. Moi aussi, je voudrais te retrouver.
L'enfant aux ailes brûlées, essaie d'entendre le vent. Les voix des temps oubliés, des murmures qu'il ne comprend plus.
Il pleure l'Atlantique. Du feu dans son sang, du noir dans son coeur.
Le corps par terre, il désire le ciel. Noyé dans sa mer, il rêve l'infini.
Je sais bien que tu me cherches. Moi aussi, je voudrais te retrouver.
terça-feira, 11 de julho de 2006
"O labirinto parado"
Perdi-me num labirinto de saudade
Senti
À montanha
Dos sítios que não mudam
Subi
E ao abismo
Do vertiginoso futuro
Desci
Procurei para o sol
Procurei para o mar
Mas sem ti
No céu da paisagem daqui
Afinal não saí
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Na pedra já mais que branda da memória,
Escrevi
Com o tempo
que o musgo vai levando a crescer
Com o brilho que a esperança nos faz
no olhar
Escrevi
Que a saudade é prima afastada do vagar
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Mas sem ti
No céu da paisagem
Daqui
Afinal não saí
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Madredeus
Senti
À montanha
Dos sítios que não mudam
Subi
E ao abismo
Do vertiginoso futuro
Desci
Procurei para o sol
Procurei para o mar
Mas sem ti
No céu da paisagem daqui
Afinal não saí
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Na pedra já mais que branda da memória,
Escrevi
Com o tempo
que o musgo vai levando a crescer
Com o brilho que a esperança nos faz
no olhar
Escrevi
Que a saudade é prima afastada do vagar
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Mas sem ti
No céu da paisagem
Daqui
Afinal não saí
Mas sem ti
No céu da paisagem
Perdi
A noção da viagem
Madredeus
segunda-feira, 10 de julho de 2006
O homem que fez nascer os deuses
D'après l'un des mythes de fondation, la création de l'univers et des ses composants aurait pour origine le démembrement d'un homme primordial nommé Prajapati. Auparavant, ce dernier aurait toutefois esquissé le cosmos en modelant la terre et le ciel et en donnant naissance aux dieux. Ceux-ci voulurent alors offrir le premier sacrifice. Comme les êtres vivants étaient encore absents du monde et que seule une offrande de ce type possédait une réelle valeur, les dieux décidèrent d'immoler le purusa (homme) Prajapati. De ce démembrement créateur devaient résulter l'apparition du soleil et de la lune, l'organisation de l'espace, le vent, le feu et surtout les homme organisés d'après les trois fonctions. La bouche du sacrifié livra les brahmanes, ses bras donnèrent naissance aux ksatriya, de ses jambes sortirent les vaisya. Ses pieds, partie la plus impure du corps, firent apparaître les serviteurs des précédents, les sudra.
In Lionel Dumarcet, "Les grandes religion de l'Asie"
In Lionel Dumarcet, "Les grandes religion de l'Asie"
sexta-feira, 7 de julho de 2006
Mais um devaneio...
Tenho medo. Medo de não conseguir, de me deparar com o vazio. Mas que vazio? Ele não existe. Não onde o temo. O vazio reside na incapacidade de ver o que se esconde na escuridão. Na dificuldade de olhar para dentro.
Indefinido, caótico, o que os meus sentidos apreendem. Sentidos? Não estou certo de que seja com eles que me vejo. O que são os sentidos? Pelo que dizem, parecem-me demasiado físicos para a função que lhes atribuo. Mas o que existirá para além do físico? Alma, espírito, intelecto... Qual escolher? Serão reais? E se o forem, afinal são eles o objecto da introspecção.
Como quem se vê ao espelho, tudo o que conseguirei será mera aproximação. Pior. Até o espelho reproduz imagens mais fiéis.
Talvez seja preferível. Se conhecessemos o que somos sem a mais ligeira alienação, talvez fossemos loucos. Loucos de horror, loucos de fascínio. Mas loucos.
Indefinido, caótico, o que os meus sentidos apreendem. Sentidos? Não estou certo de que seja com eles que me vejo. O que são os sentidos? Pelo que dizem, parecem-me demasiado físicos para a função que lhes atribuo. Mas o que existirá para além do físico? Alma, espírito, intelecto... Qual escolher? Serão reais? E se o forem, afinal são eles o objecto da introspecção.
Como quem se vê ao espelho, tudo o que conseguirei será mera aproximação. Pior. Até o espelho reproduz imagens mais fiéis.
Talvez seja preferível. Se conhecessemos o que somos sem a mais ligeira alienação, talvez fossemos loucos. Loucos de horror, loucos de fascínio. Mas loucos.
quarta-feira, 28 de junho de 2006
Tamed beast
They want me in their lives
A rare stone pierced in their hearts
A sweet acid in their mouths
There's venom in my eyes
Subtle lies in my lips
I'm the wonderful beast
Walking away restless in the end
Leaving them used
Frustrated passion
Lost certainty
I find no regrets inside me
Only some cruel satisfaction
I'm the wonderful beast
Walking away cold-hearted in the end
Oh but you came
The one who tamed me
The one who holds the antidote
Make me suffer, make me love
Let me be weak, in all my strength
The dark orchid, tender and deep
Embraces the beast.
A rare stone pierced in their hearts
A sweet acid in their mouths
There's venom in my eyes
Subtle lies in my lips
I'm the wonderful beast
Walking away restless in the end
Leaving them used
Frustrated passion
Lost certainty
I find no regrets inside me
Only some cruel satisfaction
I'm the wonderful beast
Walking away cold-hearted in the end
Oh but you came
The one who tamed me
The one who holds the antidote
Make me suffer, make me love
Let me be weak, in all my strength
The dark orchid, tender and deep
Embraces the beast.
segunda-feira, 19 de junho de 2006
Silence must be heard
Look into the others eyes, many frustrations
Read between the lines, no words just vibrations
Don't ignore hidden desires
Pay attention, you're playing with fire
Silence must be heard, noise should be observed
The time has come to learn, that silence ...
Silence must be heard
Or diamonds will burn, friendly cards will turn
Cause silence has the right to be heard
People talk too much for what they have to say
Words without a meaning, just fading away
Silence must be heard, noise should be observed
The time has come to learn, that silence ...
Silence must be heard
Or diamonds will burn, friendly cards will turn
Cause silence has the right to be heard
Enigma
Read between the lines, no words just vibrations
Don't ignore hidden desires
Pay attention, you're playing with fire
Silence must be heard, noise should be observed
The time has come to learn, that silence ...
Silence must be heard
Or diamonds will burn, friendly cards will turn
Cause silence has the right to be heard
People talk too much for what they have to say
Words without a meaning, just fading away
Silence must be heard, noise should be observed
The time has come to learn, that silence ...
Silence must be heard
Or diamonds will burn, friendly cards will turn
Cause silence has the right to be heard
Enigma
domingo, 21 de maio de 2006
Violenta saudade súbita...
Correm-me lágrimas de saudade, imagens que me incendeiam a memória. Poder estender-me de novo na laje negra aquecida pelo sol, violentamente amada pelo mar. Mergulhar o olhar na beleza fulminante das caldeiras, na suavidade das fajãs, na imponência do vulcão. Deter-me indeciso na fronteira entre três mundos, transpô-la livremente, chave da porta que revela a minha essência.
Quando cai a noite, sob o céu estrelado ou nublado, a melodia caótica dos grilos e das cagarras, bizarra canção de embalar.
Paisagens cristalizadas no tempo, guardiãs de pedaços de vida que deixei para trás.
Quando cai a noite, sob o céu estrelado ou nublado, a melodia caótica dos grilos e das cagarras, bizarra canção de embalar.
Paisagens cristalizadas no tempo, guardiãs de pedaços de vida que deixei para trás.
quarta-feira, 17 de maio de 2006
Algumas palavras soltas...
Perdi a inspiração,
Apagou-se o fogo
Tornei-me centelha
À espera de despertar
Mas tenho um amor petrificado
Que me pesa no peito
Até que o consiga afundar
Apagou-se o fogo
Tornei-me centelha
À espera de despertar
Mas tenho um amor petrificado
Que me pesa no peito
Até que o consiga afundar
terça-feira, 16 de maio de 2006
Delírio Sobre a Ponte
Às vezes que por aqui passei perdi-lhes a conta. Mas nunca nada é igual. Os nossos olhos nunca miram as mesmas imagens, por muito que esperemos o contrário. Privilegiados aqueles que disto se apercebem, ou que pelos menos param para pensar nesta subtileza. Há quanto tempo teria deixado de te amar ó rio, se daqui do alto não me maravilhasses de cada vez que te contemplo? Maravilha por seres sempre diferente, dotado dessa esplendorosa beleza que só os deuses possuem e que os homens ousaram conspurcar. Mas és mais forte do que eles. E tu cidade, casaste-te com o rio para lhes fazer frente, tu que deles vieste.
Iludem-se os homens ao pensarem que engendram beleza, imponentes no seu pedestal irrisório. Não entendem que é Ela e só Ela, a responsável por tamanhos fascínios. Nas suas mãos não passamos de instrumentos, de veículos pelos quais Ela se manifesta, em apenas mais uma das suas múltiplas facetas.
Iludem-se os homens ao pensarem que engendram beleza, imponentes no seu pedestal irrisório. Não entendem que é Ela e só Ela, a responsável por tamanhos fascínios. Nas suas mãos não passamos de instrumentos, de veículos pelos quais Ela se manifesta, em apenas mais uma das suas múltiplas facetas.
domingo, 30 de abril de 2006
terça-feira, 25 de abril de 2006
Resignação
Horizonte indefenido,
Envolveste-te em neblina.
O rio que me nasce na alma
Perdeu o leito, não encontra a foz.
O Destino roubou-nos a felicidade
Talvez por não acreditarmos nele.
Deus vingou-se em vão,
Pois perdi a fé que nunca tive.
Mas a vida avança
Atrelada ao Tempo insensível
É preciso que nos deixemos ir
Já que a Morte não recompensa
Aqueles que a procuram.
Envolveste-te em neblina.
O rio que me nasce na alma
Perdeu o leito, não encontra a foz.
O Destino roubou-nos a felicidade
Talvez por não acreditarmos nele.
Deus vingou-se em vão,
Pois perdi a fé que nunca tive.
Mas a vida avança
Atrelada ao Tempo insensível
É preciso que nos deixemos ir
Já que a Morte não recompensa
Aqueles que a procuram.
terça-feira, 28 de março de 2006
Ser açoreano
A magia de ser açoreano...
Ilhas de Bruma
Ilhas de Bruma
Ainda sinto os pés no terreiro
Onde os meus avós bailavam o pezinho
A bela Aurora e a Sapateia
É que nas veias corre-me basalto negro
E na lembrança vulcões e terramotos
Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra
Se no olhar trago a dolência das ondas
O olhar é a doçura das lagoas
É que trago a ternura das hortênsias
No coração a ardência das caldeiras.
Por isso é que eu sou das ilhas de bruma
Onde as gaivotas vão beijar a terra
Onde as gaivotas vão beijar a terra
É que nas veias corre-me basalto negro
No coração a ardência das caldeiras
O mar imenso me enche a alma
E tenho verde, tanto verde a indicar-me a esperança.
segunda-feira, 13 de março de 2006
Carta
Olá velho amigo. Aqui me sento, finalmente, frente a ti. Sei que me tenho vindo a afastar, mas que posso eu fazer se o tempo maldito nos faz mudar, fechando-nos portas que gostariamos tanto de poder voltar a abrir. Mas não te preocupes (perdoa-me a pretensão). Não deixei de te amar. Continuo a pensar em ti e a necessitar da tua força, tão intensamente quanto outrora. Tantas vezes o meu olhar procura refugiar-se na tua imensidão, sem te encontrar. Tantas vezes o meu peito anseia pelo teu abraço purificador. Cresci em ti, e em ti lavei lágrimas silenciosas. Como poderia esquecer-te?
Hoje revejo-te, e um arrepio de emoção percorre-me, tal como quando os meus lábios encontram a pele de quem amo. Com que outro poderia ter semelhante diálogo? Eu falo-te com o coração, tu respondes-me com murmúrios, doces rugidos, odores que me são caros.
Espero ansiosamente pelo dia em que mais uma vez entrarei em ti, o dia em que juntos seremos de novo um só. Até lá adeus, amigo de tantas faces. Descança que saberei sempre reconhecer-te, onde quer que te encontre.
Hoje revejo-te, e um arrepio de emoção percorre-me, tal como quando os meus lábios encontram a pele de quem amo. Com que outro poderia ter semelhante diálogo? Eu falo-te com o coração, tu respondes-me com murmúrios, doces rugidos, odores que me são caros.
Espero ansiosamente pelo dia em que mais uma vez entrarei em ti, o dia em que juntos seremos de novo um só. Até lá adeus, amigo de tantas faces. Descança que saberei sempre reconhecer-te, onde quer que te encontre.
sexta-feira, 24 de fevereiro de 2006
Eu queria...
Je voudrais
Juste ce qu'il faut de neige
Juste ce qu'il faut de glace
Je voudrais que Dieu protège
Je voudrais que Dieu fasse
Juste ce qu'il faut d'hommes
Juste ce qu'il faut d'anges
Je voudrais que Dieu pardonne
Je voudrais que Dieu change
Je n'ai pas d'autre terre
D'autre lumière
Je n'ai plus d'autre prière
Je voudrais
Juste ce qu'il faut de plaines
Juste ce qu'il faut de vent
Je voudrais que Dieu comprenne
Je voudrais, tu comprends
Juste ce qu'il faut de libre
Juste ce qu'il faut d'attache
Je voudrais que Dieu délivre
Je voudrais que Dieu sache
Je n'ai pas d'autre enfer
D'autre désert
Je n'ai plus de colère
Je voudrais, je voudrais
Je voudrais que Dieu existe...
(Isabelle Boulay)
Juste ce qu'il faut de neige
Juste ce qu'il faut de glace
Je voudrais que Dieu protège
Je voudrais que Dieu fasse
Juste ce qu'il faut d'hommes
Juste ce qu'il faut d'anges
Je voudrais que Dieu pardonne
Je voudrais que Dieu change
Je n'ai pas d'autre terre
D'autre lumière
Je n'ai plus d'autre prière
Je voudrais
Juste ce qu'il faut de plaines
Juste ce qu'il faut de vent
Je voudrais que Dieu comprenne
Je voudrais, tu comprends
Juste ce qu'il faut de libre
Juste ce qu'il faut d'attache
Je voudrais que Dieu délivre
Je voudrais que Dieu sache
Je n'ai pas d'autre enfer
D'autre désert
Je n'ai plus de colère
Je voudrais, je voudrais
Je voudrais que Dieu existe...
(Isabelle Boulay)
segunda-feira, 20 de fevereiro de 2006
Nos mots, rien que des mensonges?
"L'aveu et le mensonge sont identiques. Pour pouvoir avouer, on ment. Ce que l'on est, on ne peut l'exprimer, puisque justement cela que l'on est: on ne peut communiquer que ce qu'on n'es pas, c'est-à-dire le mensonge."
Franz Kafka
A partir do momento que tentamos descrever uma qualquer realidade através de palavras, estamos a alienar irreversivelmente essa mesma realidade. A representação linguística de um objecto, em especial de um objecto abstracto proveniente do universo interior do sujeito, é sem dúvida uma mentira involuntária. Através da linguagem somos sempre criadores de realidades alternativas, construídas a partir de realidades observadas (vistas, ouvidas, sentidas, pensadas). É frustrante constatarmos que as limitações inerentes à condição humana nos impedem de sermos fiéis às nossas experiências, que mentir é-nos imposto e que o fazemos mesmo a nós próprios.
Franz Kafka
A partir do momento que tentamos descrever uma qualquer realidade através de palavras, estamos a alienar irreversivelmente essa mesma realidade. A representação linguística de um objecto, em especial de um objecto abstracto proveniente do universo interior do sujeito, é sem dúvida uma mentira involuntária. Através da linguagem somos sempre criadores de realidades alternativas, construídas a partir de realidades observadas (vistas, ouvidas, sentidas, pensadas). É frustrante constatarmos que as limitações inerentes à condição humana nos impedem de sermos fiéis às nossas experiências, que mentir é-nos imposto e que o fazemos mesmo a nós próprios.
segunda-feira, 2 de janeiro de 2006
Fantasmas
Ao rever estas paisagens, estes sons, estes odores, fantasmas de um passado que, não deixando de o ser, continua tão presente, tento recuperar aquele que já não sou. Ele faz parte de mim, mas tornei-me mais do que aquilo que ele representa.
Nunca deixamos de ser o que fomos. Na verdade, apenas nos expandimos a cada dia que passa. Em consequência, cada parte que nos constitui desempenha um papel cada vez mais atenuado, em detrimento das nossas aquisições mais recentes e mais pertinentes para o momento presente em que nos situamos.
É imensa a nostalgia que me assola quando, em contacto com os elementos que, num determinado momento passado, contribuiram tanto para fazer de mim quem eu era (e sou), pareço reviver por instantes estados de espírito de outrora. Sinto alguma tristeza por ter perdido de certa forma aquele que era. Sei que ele vive em mim, mas demasiado profundamente e demasiado rebelde para que eu possa imobilizá-lo e impedir se esquive. Quando sinto necessidade de o reviver tenho de o atrair, de o fazer ascender da escuridão em que se instalou. A única forma de o fazer é regressar aos lugares do mundo físico que ele habitou, inalar os aromas que o alimentavam, contemplar o que o comovia, ouvir o que o transportava. Assim, engodado, ele volta a apoderar-se de mim, não exactamente como antes, mas quase.
Este arrepio que sinto é a vertigem de mergulhar no passado com os pés bem firmes no solo presente.
É assim regressar à terra que me viu nascer e que me corre nas veias. Raíz profunda que sempre suportará os ramos novos que continuarão a nascer até ao fim dos meus dias.
Nunca deixamos de ser o que fomos. Na verdade, apenas nos expandimos a cada dia que passa. Em consequência, cada parte que nos constitui desempenha um papel cada vez mais atenuado, em detrimento das nossas aquisições mais recentes e mais pertinentes para o momento presente em que nos situamos.
É imensa a nostalgia que me assola quando, em contacto com os elementos que, num determinado momento passado, contribuiram tanto para fazer de mim quem eu era (e sou), pareço reviver por instantes estados de espírito de outrora. Sinto alguma tristeza por ter perdido de certa forma aquele que era. Sei que ele vive em mim, mas demasiado profundamente e demasiado rebelde para que eu possa imobilizá-lo e impedir se esquive. Quando sinto necessidade de o reviver tenho de o atrair, de o fazer ascender da escuridão em que se instalou. A única forma de o fazer é regressar aos lugares do mundo físico que ele habitou, inalar os aromas que o alimentavam, contemplar o que o comovia, ouvir o que o transportava. Assim, engodado, ele volta a apoderar-se de mim, não exactamente como antes, mas quase.
Este arrepio que sinto é a vertigem de mergulhar no passado com os pés bem firmes no solo presente.
É assim regressar à terra que me viu nascer e que me corre nas veias. Raíz profunda que sempre suportará os ramos novos que continuarão a nascer até ao fim dos meus dias.
quinta-feira, 8 de dezembro de 2005
domingo, 4 de dezembro de 2005
Noun
Au début était le Noun, l'élément liquide incontrôlé, que l'on traduit souvent par "chaos". Il ne s'agit pas d'un élément négatif, mais simplement d'une masse incréée, inorganisée et contenant en elle les germes possibles de la vie. Cet élément ne disparaît d'ailleurs pas après la création: il reste cantonné aux franges du monde organisé, qu'il ménace d'envahir périodiquement si l'équilibre de l'univers vient à être rompu. Il est le séjour des forces négatives, toujours promptes à intervenir et, d'une manière plus générale, de tout ce qui échappe aux catégories de l'univers. Les âmes en peine, par exemple, qui n'ont pas bénéficié des rites funéraires appropriés, ou les enfants mort-nés, qui n'ont jamais eu la force suffisante pour accéder au monde sensible, y flottent, comme des noyés à la dérive.
Nicolas Grimal , Histoire de l'Égypte ancienne
Nicolas Grimal , Histoire de l'Égypte ancienne
terça-feira, 22 de novembro de 2005
Partidas...
Cada vez que te deixo, fica o meu coração nos teus lábios, os meus lábios no teu corpo. Um dia quero não ter que partir, mergulhar em ti, alimentar-me apenas do nosso amor...
domingo, 13 de novembro de 2005
Breves momentos de desorientação...
Receio aquele momento em que perco os sinais dos meus sentimentos, em que me sinto um invólucro inútil que nada protege. Quero acreditar que eles continuam lá apesar de tudo, que sou apenas eu que me desvio do seu comprimento de onda.
sábado, 5 de novembro de 2005
quinta-feira, 27 de outubro de 2005
Reflexões em movimento
Metálica e fria redoma
Transparente e triste dilúvio
Dentro afogo-me em nuvens
Fixo a cidade que passa lá fora
Mas o meu olhar está invertido
Contempla o ser que me habita
Estranho e distante por vezes
Mas sempre tão familiar...
Des milliers de visages roulent devant moi.
Traces de vie que je ne suivrai jamais.
La vie, c'est pas long;
Et savoir, c'est pas tout;
Aimer, non plus...
Mais...presque.
Transparente e triste dilúvio
Dentro afogo-me em nuvens
Fixo a cidade que passa lá fora
Mas o meu olhar está invertido
Contempla o ser que me habita
Estranho e distante por vezes
Mas sempre tão familiar...
Des milliers de visages roulent devant moi.
Traces de vie que je ne suivrai jamais.
La vie, c'est pas long;
Et savoir, c'est pas tout;
Aimer, non plus...
Mais...presque.
segunda-feira, 17 de outubro de 2005
After our little erotic games...
Nothing compares to the scent of his skin
Breathing him in, never out
His arms, the sweetest place i've ever been
Something in me begins to sprout...
Breathing him in, never out
His arms, the sweetest place i've ever been
Something in me begins to sprout...
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